No dia 2 de julho de 1997, fiz meu concerto de formatura em regência na Escola de Música da UFMG. Foi o primeiro concerto de formatura nessa disciplina na nova escola no Campus da Pampulha. Fiz todo o curso no "Conservatório" e, naquele ano, tudo se deslocou para uma nova casa.
O programa havia nascido de dois encontros distintos. Naquele ano, a pianista Flávia Botelho havia vencido o concurso de jovens solistas da Escola. Regi o Concerto nº 2 para piano e orquestra de Beethoven com a Orquestra Sinfônica da UFMG. Foi uma execução preciosa, da pianista e da orquestra, e já daria um programa inteiro. Mas havia outra peça...
Desde 1995, eu havia me aproximado da obra de Hostílio Soares através da peça As Sete Palavras de Christus Crucificatum. O original é para órgão e coro, e como trabalho da disciplina de Instrumentação e Orquestração, fiz uma versão para coro e orquestra de cordas e decidi levá-la ao concerto que finalizava aquela minha boa etapa de estudos.
Subiram ao palco o Coro Madrigale e o Coral Acesita, com Kátia Malloy, Rita Medeiros, Joubert Oliveira e Eymar Amorim como solistas. Era um programa grande, e eu estava nervoso, não por dúvida do trabalho, mas pelo peso do momento. Fim de um ciclo muito intenso, com a presença de amigos, família, professores.
O concerto aconteceu sem acidentes, sem sobressaltos, o que, olhando hoje, talvez seja o dado mais impressionante: tudo se organizou como precisava e eu queria.
Meus dois mestres, Oiliam Lanna e Sergio Magnani, estavam presentes. As palavras que disseram naquele dia ficaram guardadas no meu coração, não como elogio, mas como reconhecimento de algo que havia se completado ali. Era um ponto de chegada, e eu nem imaginava o que viria depois...
