Em 1968, o Madrigal Renascentista precisava recomeçar. Depois de anos de intensa atividade e de uma trajetória que já incluía viagens internacionais e reconhecimento da crítica, o grupo atravessava um período de menor atividade. Foi nesse momento que um velho conhecido reapareceu em Belo Horizonte: Carlos Eduardo Prates.
Prates não era um maestro qualquer convidado para reorganizar o coro. Ele havia participado da fundação do Madrigal e fazia parte de sua história desde os primeiros anos. Mas retornava agora em outra condição. Em 1966, havia vencido o Concurso Internacional de Regência de Florença e vinha construindo uma carreira que lhe dava crescente projeção no meio musical brasileiro. Sua passagem por Belo Horizonte seria temporária. Para o Madrigal, entretanto, teve consequências importantes.
Carlos Eduardo assumiu a regência e iniciou um trabalho intenso de reorganização. O repertório foi renovado, a estrutura interna passou por mudanças e os ensaios tornaram-se diários. Na nova casa da Rua Marília de Dirceu, 240, esses ensaios chegavam a ser abertos a visitantes. A imprensa percebeu rapidamente o movimento. Uma das notícias publicadas naquele período anunciava: “Viva o grande canto mineiro do Madrigal que está renascendo.”
O renascimento ganhou uma espécie de confirmação pública no dia 30 de maio, quando o Madrigal voltou ao Cine-Theatro Brasil. O concerto foi anunciado como um dos acontecimentos da temporada. O programa era inteiramente novo e reunia música da Renascença, obras modernas e arranjos folclóricos brasileiros. Não deixa de ser interessante perceber que, naquele momento, renovar o Madrigal não significava abandonar aquilo que ele havia sido. Ao contrário. O novo programa continuava colocando lado a lado diferentes épocas e linguagens, uma característica que já fazia parte da identidade do grupo.
A passagem de Carlos Eduardo Prates seria breve. Em julho, o Madrigal realizou o concerto que marcou sua despedida, com a participação da Orquestra Sinfônica da UFMG e de Lia Salgado. No programa estava a Invocação em Defesa da Pátria, de Villa-Lobos. Poucos meses haviam sido suficientes para uma boa sacudida no coro. Quando Carlos Eduardo Prates voltou a Belo Horizonte em 1968, encontrou um Madrigal que precisava se reorganizar. Quando partiu, deixou um grupo novamente ensaiando, apresentando repertório novo e ocupando os palcos da cidade.
Dessa vez, a expressão usada pelo jornal era bastante precisa: o Madrigal estava, de fato, renascendo.


