O Coral Infantil Acesita surgiu em 1994, dentro de um movimento mais amplo da própria empresa que lhe deu o nome. Naquele momento, a Acesita completava 50 anos e passava por um processo de privatização. Havia um esforço claro de reposicionamento institucional, que incluía investimentos na área cultural e social e foi nesse contexto que foi criada a Fundação Acesita, que passou a estruturar essas ações.
Se o Coral Acesita já existia, o Coral Infantil nasce com outra função, um projeto: um grupo pensado pela Fundação não apenas como formação musical, mas como ação social vinculada à educação. As crianças vinham, inicialmente, das escolas dos bairros Macuco e Limoeiro, dentro de um projeto de melhoria da qualidade do ensino.
Me lembro que fui chamado pela diretora da Fundação para uma reunião e eu imaginei ser algo relacionado a uma futura excursão do Coral Acesita. Qual não foi minha surpresa quando me perguntaram se eu poderia criar um coro infantil. Havia um objetivo claro: a apresentação na inauguração do Centro Cultural da Fundação Acesita, em 31 de outubro de 1994. Apesar de não ter a intenção de novamente trabalhar um coro de meninos, eu resolvi assumir o desafio.
O grupo inicial contava com 18 crianças, entre 7 e 11 anos e os ensaios aconteciam no bairro do Macuco, dentro da própria comunidade. O tempo de preparação foi curto. O programa mostra bem o perfil do trabalho naquele momento: repertório brasileiro, em uníssono inicialmente, com abertura posterior para divisão de vozes. Cai chuva, Boi Barroso, A Maré Encheu, ao lado de Acalanto, de Dorival Caymmi. Um repertório adequado ao estágio do grupo, mas já com direção definida.
O concerto, no entanto, não foi simples. Estavam presentes diretoria da empresa, representantes da Fundação, lideranças políticas e convidados institucionais. Foi uma apresentação de responsabilidade, especialmente para um grupo em formação. As crianças sentiram, mas responderam bem.
O início foi marcado por um desafio claro: formação de grupo. Disciplina, escuta, organização. Como o processo foi acelerado por uma meta de apresentação, parte desse trabalho precisou ser construída depois.
Com o tempo, o Coral Infantil Acesita se estabilizou. O grupo se expandiu, passou a incorporar alunos de outras escolas e começou a circular com mais frequência. Assumiu um lugar específico dentro da estrutura: ao mesmo tempo núcleo formador e elemento simbólico da Fundação, uma presença constante nos eventos e na imagem institucional.
Esse trabalho se estendeu até o ano 2000 e deixou um dado importante: algumas dessas crianças seguem posteriormente no canto coral, chegando ao grupo adulto. Hoje, o coro ainda existe, em formato infanto-juvenil. E isso talvez seja o ponto central.
Porque o Coral Infantil Acesita não foi apenas uma iniciativa pontual. Ele integra um modelo em que a empresa investe não só na apresentação, mas na formação musical, social e educacional.
