Em outubro de 1998, em dois concertos, o Madrigale celebrava os seus cinco anos.
Cinco anos é pouco para um grupo coral. Tempo suficiente para ter história, mas não o bastante para ter solidez. O grupo havia crescido, em número e qualidade, o repertório também, mas ainda carregávamos o peso de uma apresentação ruim do ano anterior(1). Aquilo ainda reverberava, e num grupo jovem, um tropeço demora a ser digerido.
O programa do concerto de gala não foi uma celebração no sentido festivo, mas era uma tentativa de afirmação. A primeira parte era inteiramente dedicada a Hostílio Soares: a Missa São João Batista, que, se não me falha a memória, era uma estreia, o Gradual e o Veni Creator Spiritus. A escolha não era por acaso porque, desde as Sete Palavras, a obra de Hostílio havia se tornado uma pesquisa contínua para mim e a Missa era o próximo passo natural dessa investigação.
Hostílio Soares e Oiliam Lanna são de Visconde do Rio Branco. Oiliam havia tocado com ele ainda adolescente e foi ele quem me colocou a partitura das Sete Palavras nas mãos e, por ela, me apresentou ao compositor. Tê-lo ao órgão naquele concerto não era apenas ter um músico de peso ao lado do Madrigale, era ter o elo vivo entre o compositor e o grupo que estava tentando recuperar essa música.
Da segunda parte, me lembro pouco. O primeiro concerto aconteceu na Igreja Cura D'Ars e foi naquele tempo que conhecemos o Pe. Sergio Palombo. Humanista, amante da música, das cerimônias solenes. Depois daquele concerto, ele nos convidou a cantar mais na igreja. Por ele, o Madrigale ganhou um espaço para ensaiar e dele veio, mais tarde, o convite que mudaria nossa trajetória: cantar o Requiem de Mozart.
E eu quis falar desse concerto de 5 anos para contar como o Madrigale iniciou a sua jornada por peças maior do repertório coral através dessa peça que já nos acompanha há anos. Assunto para o post de amanhã.