Na próxima semana, farei um concerto coral, onde esta peça
se constitui em uma das minhas preferidas no programa. Mais uma dessas belas
descobertas. Ballade to the Moon, de Daniel Elder, é uma peça coral
para coro misto e piano, primeira do ciclo Three Nocturnes. A própria
descrição da editora diz que o texto é um “noturno” sobre experiências ligadas
a amor, natureza, escuridão e luz. É uma peça coral sobre uma caminhada
noturna.
Talvez seja a melhor porta de entrada para quem não tem o
hábito de ouvir música coral. Antes de pensar em técnica, harmonia ou escrita
vocal, vale imaginar a cena: alguém caminha à noite, sob a luz da lua, com a
mente tomada por pensamentos de amor, natureza, escuridão e luz. O texto
não conta uma história com começo, conflito e desfecho. Ele registra uma
experiência. Uma pessoa caminha numa noite enluarada, a paisagem desperta
pensamentos e sensações, o caminho é escuro mas há prazer em seguir. Em alguns momentos,
não se sabe se a voz poética fala com a própria lua, com a natureza ou com
alguém amado. Essa ambiguidade não é imprecisão, ela faz parte da peça.
Musicalmente, isso aparece na forma como o coro canta. As
frases são longas. O som precisa ser leve, mas sustentado. O piano constrói o
ambiente, como se preparasse o espaço por onde as vozes caminham. A peça não
depende de grandes efeitos e sua força está na continuidade, no cuidado com o
texto e na construção de uma sonoridade que não pese. Cantar uma peça assim não
é apenas acertar notas: é controlar o excesso, não transformar delicadeza em
fraqueza, manter afinação, timbre e intenção sem endurecer o som. Quando o coro
pesa demais, a música perde o caráter. Quando canta sem presença, ela fica sem
vida.
Em ensaio, Ballade to the Moon obriga o
grupo a entender o que está cantando. Cada frase precisa ter direção, cada
respiração interfere no sentido, cada palavra precisa aparecer sem quebrar a
linha musical. O texto fala de uma caminhada e a música também precisa
caminhar.
Para o ouvinte, talvez a melhor forma de entrar nessa peça
seja acompanhar essa imagem: uma pessoa atravessando a noite com a lua como
companhia. A escuridão está ali. A luz também. E a música acontece exatamente
nesse espaço entre as duas.
🎬 Daniel
Elder - "Ballade to the Moon" (from Three Nocturnes)
Ballade to the Moon (Daniel Edgar)
On moonlit night I wander free,
my mind to roam on thoughts of thee.
With midnight darkness beckoning
my heart toward mystic fantasy:
Come, dream in me!
How beautiful, this night in June!
And here, upon the velvet dune,
I weep with joy beneath the moon.
The path lies dark before my sight,
and yet my feet with pure delight
trod onward through the darkened vale,
beneath the starry sky so bright.
O share thy light!
These woods, their weary wanderer soon
in awe and fearful wonder swoon;
I weep with joy beneath the moon.
And as the darkened hours flee,
my heart beats ever rapidly.
Though heavy hangs my eyes with sleep,
my singing soul, it cries to thee:
Come sing with me!
The twinkling sky casts forth its tune:
O must I leave thy charms so soon?
I weep with joy beneath the moon.
Balada para a Lua (Tradução livre)
Em noite enluarada, caminho livre,
minha mente a vagar em pensamentos sobre ti.
Com a escuridão da meia-noite chamando
meu coração para uma fantasia mística:
Vem, sonha em mim!
Como é bela esta noite de junho!
E aqui, sobre a duna aveludada,
choro de alegria sob a lua.
O caminho está escuro diante dos meus olhos,
e ainda assim meus pés, com puro encanto,
seguem adiante pelo vale escurecido,
sob o céu estrelado tão brilhante.
Ó, compartilha tua luz!
Estes bosques, seu cansado andarilho, em breve,
em reverência e assombro temeroso, desfalecerão;
choro de alegria sob a lua.
E enquanto as horas escuras fogem,
meu coração bate cada vez mais rápido.
Embora meus olhos pesem de sono,
minha alma cantante clama por ti:
Vem cantar comigo!
O céu cintilante lança sua melodia:
Ah, devo deixar teus encantos tão cedo?
Choro de alegria sob a lua.