quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Sabiá

Em 2010, no espetáculo HelyElas, Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, foi apresentada pelo Coro Madrigale de um modo tão simples quanto decisivo. Hely Drummond era o eixo da cena. Não havia regente em palco. Eu assistia da plateia. O trabalho estava montado, mas, naquele momento, a música era dele e delas.

Para essa peça, o coro se retirava. Permaneceram no palco apenas Clara Guzella, Isabela Santos e Márcia Maria Teixeira Reis, interpretando o arranjo de Angelo Fernandes. Um trio feminino, três vozes individuais em diálogo, sustentadas por uma escrita vocal cuidadosa, difícil e afetuosa com a canção.

Sabiá é um texto delicado, sem excessos. A escolha do trio não foi efeito cênico, mas uma solução musical para uma sonoridade que eu queria. Tudo se resolvia na escuta horizontal, sem hierarquia, sem necessidade de controle. Havia confiança e isso se ouvia.

O público percebeu de imediato: surpresa, atenção maior, um silêncio mais atento ao redor de três excelentes cantoras. A rarefação do grupo deslocou o foco para o essencial.

Ao lembrar dessa apresentação hoje, penso menos no espetáculo e mais nelas. Na decisão de deixá-las ali, sozinhas na cena, sustentando uma canção que só acontece plenamente quando cantada com escuta. E quando a música é entregue a quem sabe esperar, ela encontra seu tempo.

🎬 Sabiá - Coro Madrigale (2010)

 

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