Ontem, compartilhei aqui uma descoberta que fiz pela internet: Slumber My Darling, uma delicada canção de ninar de Stephen Foster, em arranjo de Blake Morgan, interpretada pelo VOCES8 Foundation Choir. Gostei muito da música e fui procurar informações sobre o arranjador. Foi então que, ao encontrar sua fotografia, tive uma surpresa: reconheci um dos cantores do próprio VOCES8!
Quem acompanha este blog sabe da minha admiração pelo VOCES8. Já falei algumas vezes sobre esse extraordinário conjunto vocal britânico, que considero uma das grandes referências da música coral da atualidade. A qualidade técnica, a afinação, o equilíbrio entre as vozes e, principalmente, a musicalidade de suas interpretações sempre me impressionam.
Pois Blake Morgan, além de ser um excelente tenor, é também compositor e arranjador. Norte-americano, natural de Detroit, Morgan construiu uma trajetória bastante interessante no universo dos grupos vocais profissionais. Antes de integrar o VOCES8, cantou em dois importantes conjuntos dos Estados Unidos: o Cantus e o Chanticleer. Em 2016, tornou-se o primeiro cantor norte-americano a integrar o VOCES8.
Sua formação musical inclui o canto clássico e o jazz, e essa diversidade aparece em sua atividade como arranjador. Seu catálogo reúne composições originais e arranjos de canções populares, tradicionais e de diferentes épocas. Entre seus trabalhos estão versões corais de Caledonia, Time After Time e I'll Be There, além de Slumber My Darling, que motivou minha curiosidade.
Há algo que considero especialmente interessante nessa trajetória: Morgan conhece o coro também por dentro. Sua experiência como cantor em conjuntos vocais de altíssimo nível certamente lhe oferece uma perspectiva muito particular sobre as possibilidades da voz humana, a construção das harmonias e a relação entre as diferentes linhas musicais.
Quem trabalha com regência sabe como é importante compreender não apenas aquilo que está escrito na partitura, mas também a experiência de quem precisa cantar aquela música. Respiração, extensão vocal, equilíbrio, afinação e articulação são questões que fazem parte da própria construção musical.
No caso de Slumber My Darling, descobri ainda um detalhe muito bonito. Morgan dedicou o arranjo à irmã, Mariah, e ao sobrinho Flynn, por ocasião do primeiro aniversário da criança. Sua intenção era preservar a intimidade de uma canção de ninar, ampliando-a por meio de uma escrita coral que chega a oito vozes. Essa informação me fez ouvir a peça de outra maneira. A delicadeza que percebemos na gravação tem também uma motivação afetiva muito concreta.
Recentemente, o VOCES8 anunciou uma mudança na atuação de Morgan dentro do grupo. A partir da temporada 2026/2027, ele passa a desenvolver atividades como artista associado e embaixador do conjunto, dedicando mais tempo à composição, aos arranjos e à educação musical.
Fiquei pensando em quantas vezes ouvimos um conjunto vocal e nos concentramos, naturalmente, no resultado coletivo, sem conhecer as diferentes trajetórias e atividades musicais de seus integrantes. Descobrir Blake Morgan como arranjador e reconhecer nele um dos cantores do VOCES8 foi uma dessas pequenas surpresas que tornam tão prazerosa a busca por novas peças corais.
Deixo aqui novamente a gravação de Slumber My Darling e o convite para conhecer outros trabalhos de Morgan. É uma boa oportunidade para ouvir um músico que reúne duas experiências que me interessam muito: a de quem canta e a de quem escreve para que outros cantem.
Para ouvir: Slumber My Darling, de Stephen Foster, arranjo de Blake Morgan, com o VOCES8 Foundation Choir.
Para conhecer: Site oficial de Blake Morgan | VOCES8

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu nome e e-mail para que eu responda. Obrigado.