Em julho de 1994, o Coral Acesita passou um fim de semana inteiro dentro do auditório do Escritório Central da empresa, em Timóteo, gravando seu primeiro disco. Dois dias de manhã e tarde. Trinta e um cantores, um quarteto de cordas, teclado e violão. E Frank Justo Acker atrás dos controles.
Franck era um técnico de gravação conhecido no eixo Rio-São Paulo, experiente em registrar grupos musicais. Chegar a Timóteo com aquele currículo e passar o fim de semana com a turma da Acesita deu no que deu: ele se tornou amigo do grupo, foi incorporado à convivência, tratado como um dos nossos. Esse era o jeito daquele coral.
O auditório tinha boa acústica, boa o suficiente para que fizéssemos concertos ali também. Para a gravação, era o espaço certo. Não havia necessidade de ir a outro lugar, e isso deu ao processo uma qualidade doméstica, no sentido bom: estávamos em casa, num espaço conhecido, sem o peso de um estúdio profissional que intimida mais do que acolhe.
O repertório do Coral Acesita sempre percorreu estilos diferentes, uma característica do grupo desde o início. Os concertos nunca foram apenas eruditos ou apenas populares: iam de Palestrina ao Samba do Arnesto, passando por Villa-Lobos, Vivaldi, negro spirituals e música mineira. O disco registrou exatamente isso. Dezesseis faixas que contam quem era aquele coral.
Os arranjos da Suíte Mineira, Sapato Velho, Onde está você e Samba do Arnesto eram de Devanil Leandro, arranjador que conheci quando ele regia o Coral Comunicanto. Sempre o considerei um dos melhores do movimento coral mineiro, alguém com sensibilidade real para a música popular brasileira, sem forçar o que não cabe numa partitura coral. Fazer o disco com arranjos dele era uma escolha que eu não precisava justificar.
E há uma faixa que merece atenção à parte: Onde está você (Descontração). O encarte é honesto sobre ela — foi gravada num intervalo, como relaxamento do grupo, sem intenção formal. Ficou boa. E ficou no disco, como documento de quem eram aquelas pessoas fora da postura de concerto: alegres, soltas, capazes de fazer música também assim.
Em 1994, gravar um CD pela Sony Music ainda tinha um peso simbólico que hoje é difícil dimensionar. Não era comum. Para músicos profissionais já era conquista; para aquela turma, era algo de outra ordem. Quando o objeto ficou pronto e chegou às mãos de cada um deles, aquilo disse mais do que qualquer concerto poderia dizer. Era a voz deles gravada, prensada, embalada. Permanente.
O texto que os cantores escreveram no encarte, assinado coletivamente, termina assim: "Você lançou este desafio e juntos, com muito trabalho e determinação, conseguimos vencê-lo." Era exatamente o que havia acontecido.
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