Apesar dos contratempos, a turnê na Argentina foi impressionante. Apresentou-se em Buenos Aires, Tucumán, Córdoba, Rosário, San Luiz, Mendoza, Paraná, Rufino, Mercedes, San Juan e La Plata. Depois seguiu para Montevidéu, no Uruguai. A agenda era extensa, exigente, e colocava o coro diante de públicos e críticos atentos.
Em Buenos Aires, o grupo cantou no Coliseu, no Mozarteum Argentino, na Embaixada Brasileira e no Auditório da Dirección General de Cultura. A culminância veio no Teatro Colón, uma das casas de espetáculo mais importantes das Américas, em apresentação com a Orquestra Filarmônica de Buenos Aires. Sob a regência de Isaac Karabtchevsky, o Madrigal executou a Missa da Coroação e outras peças de Mozart.
Nem tudo passou sem reparos. Um crítico apontou limites de Karabtchevsky na condução do repertório puramente orquestral, observando que ele parecia mais regente de coro do que de orquestra. A observação é interessante porque revela um momento de transição. Isaac se dirigia cada vez mais para a carreira orquestral, enquanto sua imagem ainda estava muito ligada ao trabalho coral que havia construído com o Madrigal.
Mas, em relação ao coro, a imprensa foi generosa. O jornal La Prensa registrou que se tratava do melhor coro brasileiro ouvido em muito tempo. La Nación destacou o mérito individual dos integrantes e a excelência do trabalho coletivo. Em Montevidéu, a recepção também foi intensa: o Madrigal foi considerado o melhor grupo vocal já apresentado no país. Esses elogios ajudam a entender o lugar que o Madrigal ocupava naquele momento. Era um grupo já reconhecido como referência artística fora do Brasil.
A excursão também abriu portas. Maria Lúcia Godoy foi convidada para uma futura montagem de Manon Lescaut, de Mascagni, no Teatro Sodre, em Montevidéu. Karabtchevsky recebeu propostas ligadas ao Coral da Universidade do Chile e à Filarmônica de Santiago. A viagem, portanto, não foi apenas uma sequência de concertos. Funcionou como vitrine artística para o grupo e para alguns de seus principais nomes. No retorno a Minas, os artistas foram homenageados pelo governador Magalhães Pinto e pelo prefeito Amintas de Barros.
Resumindo, a turnê de 1961 aconteceu em condições difíceis. O Brasil vivia uma crise política grave. A viagem quase não saiu como planejada. O concerto no Teatro Colón precisou ser transferido. A imprensa argentina perguntou sobre a situação brasileira antes mesmo de se concentrar na música. E, ainda assim, o Madrigal cantou e deixou na imprensa argentina e uruguaia a imagem de um coro brasileiro de altíssimo nível.
Fonte de base: trecho do livro o_coro_do_brasil_o_madrigal.pdf sobre a excursão do Madrigal Renascentista à Argentina em 1961.
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