segunda-feira, 27 de outubro de 2025

The Seal Lullaby - Eric Withacre

The Seal Lullaby, de Eric Whitacre, é uma dessas  músicas que parecem feitas para acalmar o mundo. A peça nasceu de um poema de Rudyard Kipling,  escrito como canção de ninar para uma foca que embala o filhote nas ondas do mar.

Whitacre compôs essa obra a pedido do estúdio DreamWorks, que planejava um filme baseado no conto. O projeto não foi adiante, mas a música ficou, e acabou se tornando uma das peças corais mais conhecidas do compositor.

Tudo em The Seal Lullaby é simples e preciso. As vozes se movem como ondas curtas, próximas, sustentadas por um piano que respira junto com o coro. Não há drama nem tensão, apenas o equilíbrio de quem canta para acalmar. Talvez por isso essa música toque tanto, ela lembra o que há de mais essencial na arte coral: a união das vozes para criar paz.

Em tempos de ruído e dispersão, The Seal Lullaby é quase um antídoto: suave, breve e inesquecível.

🎧 https://youtu.be/TL7HkwnzENo?si=NMN3TtySvXte4QTR

 

The Seal Lullaby 

Poema de Rudyard Kipling (1865–1936)

Musicado por Eric Whitacre (2004)

 

Oh! hush thee, my baby, the night is behind us,

And black are the waters that sparkled so green.

The moon, o’er the combers, looks downward to find us,

At rest in the hollows that rustle between.

 

Where billow meets billow, then soft be thy pillow;

Ah, weary wee flipperling, curl at thy ease!

The storm shall not wake thee, nor shark overtake thee,

Asleep in the arms of the slow-swinging seas.

 

Tradução livre (Arnon Oliveira)

Silêncio, meu bebê — a noite ficou para trás,

E negras são as águas que antes brilhavam tão verdes.

A lua, sobre as ondas, desce o olhar para nos achar,

Em repouso nos vales que sussurram entre correntes.

 

Onde onda encontra onda, faz dela o teu travesseiro;

Ah, pequeno nadador cansado, enrosca-te em paz!

A tempestade não te despertará, nem o tubarão te alcançará,

Dormindo nos braços do mar que balança devagar.

💡 Este poema pertence à coletânea “The Jungle Book” (1894) e está em domínio público. A versão musical de Eric Whitacre (2004) transformou essa canção de ninar em uma das obras corais mais queridas do repertório contemporâneo, interpretada por coros em todo o mundo.

 


 

 

domingo, 26 de outubro de 2025

Madrigal Renascentista e a Fundação Gulbenkian — ecos de 1970

A Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, é um dos grandes centros culturais e científicos da Europa. Criada em 1956, ela nasceu do legado do filantropo armênio Calouste Gulbenkian, e desde então se tornou referência em promoção das artes, da ciência e da educação.

Seu edifício-sede é cercado por jardins, abriga museus, salas de concerto e uma das mais respeitadas bibliotecas do continente. Foi lá que estive recentemente, em busca de documentos que revelassem um capítulo pouco conhecido da história do Madrigal Renascentista: a sua passagem por Lisboa, em 1970.

A experiência de pesquisa na Gulbenkian é, por si só, memorável. Os arquivos são exemplarmente organizados, com fichas precisas, digitalização criteriosa, agendamento exclusivo e atendimento atencioso e silencioso. Tudo parece construído para acolher o pesquisador.

E então veio a surpresa: primeiro que, ao chegar lá, após fazer meu cadastro imediato, uma funcionária imediatamente me levou a um computador onde os arquivos que eu procurava já estavam separados à minha espera. Um dossiê com arquivos selecionados com cartas e telegramas trocados entre Lisboa e Belo Horizonte. Registros que revelam o caminho administrativo e diplomático que permitiu ao coro mineiro cantar na Fundação.

O mais interessante é que essa apresentação não fez parte das apresentações da turnê chanceladas pelo governo brasileiro. Foi, antes, um contrato direto com uma das instituições musicais mais prestigiadas do mundo, reconhecendo o Madrigal como um grupo de mérito próprio, respeitado e convidado pela sua qualidade artística.

Esses documentos atravessaram o Atlântico há mais de meio século, e hoje voltam a respirar na tentativa de compreender a amplitude dessa história. Cada telegrama, cada assinatura, é uma prova de que a música, mesmo quando nasce em um canto distante, encontra sempre o seu caminho até o centro das coisas.



 


sábado, 25 de outubro de 2025

Bohemian Rhapsody — quando o coral encontra o épico

Há músicas que parecem ter sido escritas para o impossível, e Bohemian Rhapsody, do Queen, é uma delas. Lançada em 1975, a obra de Freddie Mercury não é apenas uma canção, mas uma pequena ópera em si: seis minutos de puro espanto musical, onde o rock, a balada e o drama se entrelaçam em um arco teatral de intensidade e invenção.

Transpor tudo isso para o universo coral é um desafio. Mas há arranjadores que sabem transformar o impossível em beleza, e Mark Brymer é um deles. Seu arranjo coral de Bohemian Rhapsody é uma verdadeira arquitetura de vozes: respeita o espírito da obra original, mantendo a simplicidade do arranjo, mas oferece ao coro a chance de viver o espetáculo de dentro.

Brymer não tenta imitar a banda, ele a traduz. Faz com que o coral respire junto com o piano, recrie a textura das guitarras, desenhe os contrastes entre o lirismo da introdução e a força explosiva do final. Cada voz encontra seu papel na dramaturgia musical: sopranos que cortam o ar como luz, baixos que sustentam a densidade da terra, contraltos e tenores costurando o meio com energia e precisão.

E, para dar corpo a essa sonoridade, o Madrigale contou com uma banda excepcional:

Elias Santos (violão e guitarra)

Hugo Silva (baixo)

Júlio Bastos (piano)

Phil Rezende (teclados)

Gui Stephan (bateria).

Foi com eles que o coro encontrou o equilíbrio perfeito entre a força do rock e a harmonia coral, uma fusão que fez vibrar cada nota como se o palco respirasse.

No concerto Madrigale canta o mundo, o público reconheceu a melodia, mas ouviu algo novo: um Queen multiplicado em muitas almas, onde o rock se fez polifonia e o épico se tornou humano. Naquele momento, o teatro inteiro parecia respirar junto. Foi arrepiante!!!

E talvez seja essa a grande força da música coral, transformar o que era individual em comunhão sonora, fazer do espetáculo uma experiência de presença.

 

🎧 Para quem quiser conhecer o arranjo:

Madrigale Pop Internacional – 02. Bohemian Rhapsody

 

@jorgepereirafotografo

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Madrigale canta o mundo — um concerto de afetos e memórias

Há canções que atravessam o tempo. Elas nos esperam na curva das lembranças, guardam amores, viagens, danças, e voltam sempre que a vida pede um pouco de leveza... ou de agitação. Essas canções nos formaram, e é por isso que, quando as cantamos, algo nelas se transforma: o íntimo se torna coletivo, o afeto vira comunhão.

No concerto Madrigale canta o mundo (Madrigale Internacional), realizado no Teatro SESIMINAS, no dia 13 de junho de 2025, o coro se propôs a revisitar algumas dessas canções universais, não para repeti-las, mas para recriá-las em harmonia, entre a sofisticação coral e a emoção popular.

O programa trouxe clássicos como Bohemian Rhapsody (Queen), True Colors (Cyndi Lauper), How Deep Is Your Love (Bee Gees), Take On Me (a-ha) e All of Me (John Legend), canções que fizeram parte de muitas vidas, agora repensadas sob a luz coral, ganhando corpo e cor em vozes que se entrelaçam, através de arranjos escolhidos para mostrar o que um coro pode fazer com qualquer linguagem.

O Madrigale propôs mais do que um tributo à música pop: ofereceu uma travessia. Cada arranjo foi um gesto de escuta, escuta do tempo, do outro, de si.

Entre vozes que se fundiam e se separavam, o concerto celebrou a beleza do reencontro com o que permanece vivo dentro de nós. Foi uma noite para cantar com o coração, dançar com a lembrança e silenciar com a beleza. Um concerto de afetos, de presenças e de memória. O Madrigale cantou. O mundo escutou. E, por alguns instantes, tudo se curou através da música.

Para além disso, foi um concerto especialmente significativo, porque marcou uma despedida temporária dos palcos, um momento de pausa antes de novas travessias. Um adeus breve, cantado em muitas línguas, mas dito em uma só voz: a da emoção que permanece.

E assim começamos o concerto:

Madrigale Pop Internacional – 01. We Will Rock You


Aos poucos, nos próximos dias, vou falando sobre a produção e as peças cantadas.






 

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O Regente Coral (uma reflexão)

Falar de coro é, inevitavelmente, falar do seu regente. Não apenas porque ele conduz, mas porque o coro é, em grande parte, o reflexo da escuta, da sensibilidade e da visão de quem o dirige.

O regente coral é mais do que um técnico do gesto, é um mediador entre a partitura e o som vivo, entre o compositor e as vozes que dão corpo à obra. Sua função é articular o invisível: transformar intenção em som, emoção em forma, coletivo em unidade.

Mas há algo que torna o coro um instrumento único entre todos: a palavra. Enquanto uma orquestra trabalha com o som abstrato, o coro lida com o verbo, com a linguagem. Cada frase, cada sílaba tem sentido, ritmo, textura e intenção. Cantar em coro é dar corpo à palavra; é fazê-la ressoar não apenas com a voz, mas com o pensamento e o sentimento de quem canta. Por isso, o regente coral precisa ser também um leitor atento, um intérprete do texto. Ele traduz em som o que as palavras contêm de silêncio, de respiração, de emoção humana.

A regência, portanto, começa muito antes do gesto. Está na escolha do repertório, na compreensão das vozes, no entendimento de que o coro é um organismo vivo em que som e sentido se fundem. Um bom regente sabe que cada voz traz uma história, um limite e uma verdade, e que o papel da arte é somar essas singularidades, não apagá-las. Há, claro, o aspecto técnico: o gesto que comunica o pulso, o olhar que orienta a entrada, o desenho das dinâmicas no ar. Mas há também o que não se ensina, a escuta silenciosa.

O trabalho coral é, antes de tudo, um exercício de convivência e de linguagem. Por isso, o maestro de coro precisa ser, simultaneamente, músico, pedagogo, psicólogo, arquiteto e poeta. Ele constrói o som, mas também o espaço simbólico onde as vozes e as palavras se encontram. E quando o coro canta, já não é o maestro quem rege: é o próprio verbo que se faz som, guiado pela energia que ele ajudou a criar.

Regentes que apenas comandam fazem o coro obedecer; regentes que escutam fazem o coro respirar.




quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Especificidade dos Coros

Pouco se pensa que um coro, assim como uma orquestra, é um organismo construído com propósito. Cada coro nasce a partir de uma intenção: institucional, comunitária, artística ou litúrgica; e essa origem determina sua forma, sua sonoridade e seu modo de existir.

Coros especializados em repertório operístico, por exemplo, diferem profundamente de outros. São formados, em geral, por cantores profissionais, com sólida formação técnica e cênica. Cantam atuando, o que exige domínio de palco, projeção de voz e uma uniformidade sonora capaz de preencher grandes teatros sem perder clareza. Os integrantes podem atuar como solistas ou coadjuvantes dentro da obra sendo executada e, via de regra, trata-se de conjuntos com um número elevado de cantores (de 60 a 100 pessoas).

Já os coros sacros cumprem uma função distinta. São coros de serviço, voltados à liturgia, ao acompanhamento dos ritos religiosos. Ali, a música não é o fim, mas o meio: ela serve ao texto e ao gesto do culto. Por isso, as melodias são simples, diretas, e muitas vezes entoadas em uníssono. Quase nunca os cantores de coros são profissionais, sendo que sua formação musical pode muitas vezes acontecer ao longo de sua experiência no próprio coro, o qual normalmente tem mais flexibilidade em relação aos integrantes que nem sempre são fixos ou regulares.

Os coros de câmara, talvez o formato mais difundido no Brasil, ocupam outro espaço. São conjuntos menores, entre 15 e 40 cantores, dedicados à música coral em seu sentido pleno, isto é, àquilo que foi composto especialmente para o coro como instrumento. Cantam a várias vozes, explorando timbres, texturas e possibilidades do som humano: da respiração ao gesto, da palavra ao silêncio. Frequentemente cantam a cappella, sem acompanhamento instrumental, e seu repertório é livre, podendo ir da Renascença ao contemporâneo, do sagrado ao popular. A qualidade do conjunto, bem como a elaboração do repertório desenvolvido por ele, está diretamente associada à qualidade dos cantores que compõem o coro, sendo tanto melhor quanto mais cantores com formação musical e de canto o compuserem.

 

Continuo ainda...



 


terça-feira, 21 de outubro de 2025

Falando sobre Canto Coral

Quero começar uma breve série de textos sobre canto coral, um tema que merece ser revisitado.

Nos últimos tempos, a palavra “coral” passou a designar qualquer grupo de pessoas que canta junto, e isso acabou diluindo um conceito que carrega história, técnica e propósito artístico. É importante recuperar o sentido das coisas.

Há uma diferença essencial entre um orfeão e um coro: o orfeão é um agrupamento mais amplo, coletivo, muitas vezes formado por pessoas sem formação musical, reunidas pelo prazer de cantar e pelo valor social dessa experiência.

O coro, por sua vez, pressupõe um trabalho técnico e interpretativo mais apurado, vozes equilibradas, repertório pensado, ensaio dirigido por um regente com intenção estética. O professor Ricardo Goldemberg* resume bem:

“O orfeão tem características próprias que o distinguem do canto coral dos conjuntos eruditos. Trata-se de uma prática da coletividade em que se organizam conjuntos heterogêneos de vozes e tamanho variável, sem exigência de conhecimento musical ou treinamento vocal.”

Em contrapartida, o canto coral busca organização, precisão e expressão. Não é apenas um conjunto de pessoas que canta; é um organismo sonoro que pensa, respira e sente junto. E aqui não interessa se são duas, três, quatro ou mais vozes.

Mas o canto coral não é privilégio da técnica, é também educação, convivência e escuta. Cantar em grupo, mesmo de forma simples, é um ato de encontro. E talvez, no fim das contas, seja isso o que nos mantém humanos: a capacidade de escutar o outro para fazer soar o mesmo som.

Nos próximos posts, sigo nessa conversa.

 

* GOLDEMBERG, Ricardo. Educação musical: a experiência do canto orfeônico no Brasil. Disponível em: <https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8644264/11690>. Acessado em: 17/10/2025.

 




segunda-feira, 20 de outubro de 2025

City Called Heaven — vozes que resistem ao esquecimento

Maio de 2020. O mundo inteiro em suspensão. As cidades vazias, o tempo dilatado, a respiração contida... A arte, mais uma vez,  encontrava um modo de continuar. Foi nesse cenário que nasceu mais um dos nossos coros virtuais, com o Madrigale espalhado por telas e distâncias, mas unido pelo som e pelo desejo de permanecer.

Escolhemos City Called Heaven, espiritual afro-americano que fala de cansaço, fé e travessia. Na voz profunda de Fernanda Valadares, a canção ganhou uma dimensão simbólica: era prece e era desabafo, era busca por um céu possível quando tudo parecia tão baixo.

Mas havia algo mais: o vídeo, com suas imagens fragmentadas, os rostos dissolvidos, as sobreposições e ausências, transformou-se em metáfora daquele tempo. As vozes se reconstruíam em meio à desconstrução, revelando a dor e a beleza de existir num mundo interrompido.

O tempo passou, e o mundo tentou seguir adiante. Mas há algo inquietante na forma como a pandemia vem sendo esquecida, como se quiséssemos apagar o medo, a solidão e as perdas que nos atravessaram. Eu penso o contrário: não devemos esquecer. Porque naquele vazio, nas casas silenciosas, nas vozes gravadas com fones simples e microfones precários, aprendemos o que é comunidade, o que é fragilidade, o que é amor à arte e à vida.

City Called Heaven é, para mim, uma das lembranças mais sinceras daquele período. Não é apenas um registro musical: é um testemunho. É o som de um tempo em que a música foi abrigo, em que cantar era resistir. 

Esse Spiritual nasceu da tradição afro-americana, da voz coletiva que atravessou séculos de dor e esperança. É uma canção de exílio e fé, um lamento que busca consolo num “céu chamado paraíso”; não como fuga, mas como resistência. Ao cantá-la naquele maio de 2020, o Madrigale se uniu, sem saber, a essa linhagem de vozes que nunca se calaram. Porque cantar, mesmo quando o mundo desaba, é afirmar que a vida ainda tem som.

 

🎧 Assista ao vídeo no YouTube

 

 

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domingo, 19 de outubro de 2025

Only in Sleep — o sonho que canta

Há músicas que parecem existir num espaço entre o tempo e a memória. Only in Sleep, do compositor Ēriks Ešenvalds, é uma delas.

Escrita em 2010 para o University of Louisville Collegiate Chorale e o Cardinal Singers, a obra parte de um poema de Sara Teasdale, poetisa americana do início do século XX, que fala da infância revivida nos sonhos. 

É uma canção de lembrança, mas também de reencontro, um olhar para o passado com a ternura de quem o revive apenas quando adormece.

Ešenvalds traduz essa nostalgia com uma música de frases regulares e harmonias suaves, mas ricas em cor e detalhe. Cada acorde parece respirar, e cada transição em vocalises cria pequenas ondas de emoção, como se a música fosse feita de névoa e memória. Nada é dramático, nada é imposto. A força da peça está na delicadeza, naquilo que é quase silêncio.

A soprano solista, que abre a obra, volta no final. Sua linha melódica é como um fio de luz: flutua sobre o coro, ornamenta-se em arabescos, e se dissolve lentamente até desaparecer. Entre a primeira e a última nota, o ouvinte é levado a um espaço interior, onde a lembrança e o sonho se confundem.

Musicalmente, Only in Sleep é um exercício de equilíbrio: entre simplicidade e refinamento, entre estrutura e lirismo. O coro sustenta a solista com acordes que oscilam como um coração tranquilo, um pulso contínuo de serenidade. Ešenvalds domina como poucos a arte da harmonia coral contemporânea: cada voz tem um papel preciso, e o resultado é de uma beleza quase translúcida.

Mais do que uma obra sobre o sono, Only in Sleep fala do poder da memória e da música de despertar o que dorme dentro de nós, porque há lembranças que só cantam quando fechamos os olhos.

Only in Sleep — texto original (Sara Teasdale)

Only in sleep I see their faces,
Children I played with when I was a child,
Louise comes back with her brown hair braided,
Annie with ringlets warm and wild.

Only in sleep Time is forgotten—
What may have come to them, who can know?
Yet we played last night as long ago,
And the doll-house stood at the turn of the stair.

The years had not sharpened their smooth round faces,
I met their eyes and found them mild—
Do they, too, dream of me, I wonder,
And for them am I too a child?


Tradução poética (Arnon Oliveira)

Só no sono eu vejo seus rostos,
As crianças com quem brinquei quando era criança.
Louise retorna com suas tranças castanhas,
Annie, com os cachos soltos e quentes.

Só no sono o tempo é esquecido —
O que foi delas, quem pode saber?
Mas ontem à noite brincamos como antes,
E a casa de bonecas estava no alto da escada.

Os anos não afiaram seus rostos redondos,
Encontrei seus olhos e os vi serenos —
Será que elas também sonham comigo, pergunto,
E para elas, serei eu também uma criança?

🎧 Sugestão de audição: Only in Sleep — Ēriks Ešenvalds, com o Choir of Trinity College, Cambridge, regência de Stephen Layton.

Assista no YouTube

 

 

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Sobre o compositor: 

Ēriks Ešenvalds é um dos nomes mais expressivos da nova geração de compositores corais europeus. Nascido na Letônia em 1977, formou-se na Academia de Música da Letônia e tornou-se conhecido por uma escrita profundamente lírica, de harmonias transparentes e espiritualidade silenciosa. Sua música combina técnica apurada com emoção direta: o sagrado e o humano sempre em diálogo. Obras como O Salutaris Hostia, Stars e Only in Sleep revelam um compositor que entende o coro como espaço de ressonância interior, onde som e luz parecem falar a mesma língua.

sábado, 18 de outubro de 2025

Onde Deus possa me ouvir (2) — Madrigale ao vivo

Me permitam uma sequência do post do dia 16, anteontem... aqui, o Madrigale cantando a mesma peça em uma apresentação no Programa Viva Música, no auditório da Escola de Música da UFMG. E ali está ele: Hely... 

Um post curto e cheio de emoção do lado de cá...

"Onde Deus possa me ouvir" - Vander Lee




Madrigal Renascentista: O senhor não precisar cantar, presidente

Em abril de 1968, o Madrigal Renascentista estava mais uma vez em Brasília. O grupo havia sido convidado para participar das comemorações do...