Este post dialoga diretamente com um texto que escrevi em 11/01/26. Marília Ruas, que foi presidente do Coral Acesita e segue sendo uma grande amiga e parceira de tantos trabalhos corais, me enviou o relato que transcrevo a seguir. Um texto que me tocou profundamente e que merece ficar registrado aqui, como prolongamento daquela reflexão.
Assim escreve Marília:
Lendo este post, é impossível não lembrar do dia em que escutei um coro que você regia, o Scala. (Escutei mesmo, não vi.) Estávamos no Conservatório da UFMG, em Belo Horizonte: eu, o Luciano Lima, o Moreira, o Marquinho e a Ana Maria (diretoria do Coral Acesita na época), porque tínhamos ido conversar sobre a sucessão da Cristina, que deixaria o Coral Acesita por estar grávida. Era uma conversa objetiva, quase prática, e em determinado momento, começamos a ouvir um coro cantar.
De repente, o Luciano disse: “Estão ouvindo? É o regente desse coro que eu quero levar para o Acesita.”
Aquilo ficou marcado em mim. Antes de qualquer apresentação formal, antes de qualquer conversa, veio o som. Foi pela escuta que tudo começou.
E assim, em fevereiro de 1992, chegou a Timóteo o regente daquele coro que escutamos no Conservatório. A partir dali, o significado de conduzir um coro mudou completamente para nós. Mudou o jeito de ensaiar, de pensar repertório, de ousar. Lembro bem do impacto de encarar obras como o Credo, de Vivaldi, algo que, até então, parecia distante demais da nossa realidade.
Mas não era apenas repertório. Era método, postura, relação humana. A busca por novos caminhos técnicos vinha junto com o cuidado com o grupo, com o convívio, com o sentimento de pertencimento. As viagens para visitar clientes, por exemplo, não eram apenas compromissos institucionais; tornaram-se também estratégias de aproximação, de fortalecimento dos laços entre os cantores.
Nunca foi apenas a questão financeira que importou. O que sentimos foi um compromisso real em fazer o coro crescer, em nos colocar diante de desafios que pareciam grandes demais: cantar com orquestra, por exemplo. Mesmo com limitações técnicas evidentes em parte do grupo, havia a convicção de que era possível avançar.
Esse modo de conduzir, exigente, mas profundamente humano, acabou se tornando uma marca. A história começou ali e se desdobrou de forma tão intensa que, para a grande maioria dos cantores, tornou-se difícil imaginar a continuidade do Coral Acesita sem a sua presença. O coro nunca mais foi o mesmo daquele tempo.
E digo isso com clareza e afeto: histórias, histórias e histórias. Desafios, desafios e desafios. Como não admirar?
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