Cheguei ao Coral Acesita em 1992. Fui para lá a convite do Luciano Lima, substituindo Cristina Grossi, uma colega querida que precisou se afastar porque estava grávida. À época, eu não imaginava que aquele convite abriria um dos períodos mais marcantes da minha formação como regente e como pessoa.
O que posso contar aqui é o percurso que vivi entre 1992 e
2000. Antes e depois disso, há outras histórias, outros olhares. Mas esse
recorte é meu e é nele que a memória se organiza.
O Coral Acesita não era apenas um coro ligado a uma empresa.
Era um espaço de convivência intensa, de trabalho sério e, sobretudo, de pertencimento.
Havia ali uma turma sensacional, gente comprometida, generosa, curiosa,
disposta a aprender e a se arriscar junto. Ensaiar aquela turma não era apenas
cumprir uma agenda: era estar junto deles em muitos sentidos.
Foram anos de muito fazer, de repertório construído com
cuidado, de viagens, apresentações, encontros, de erros e acertos e de
amadurecimento mútuo. Ali eu aprendi, na prática, que um coro se constrói tanto
pelo som que produz quanto pelos vínculos que sustenta. Para todos eles,
representar a Cia Acesita era mostrar pra quem quisesse o que era ser daquele
lugar. De Timóteo.
O Acesita me ensinou algo fundamental: regência não é apenas
condução musical: é escuta cotidiana, é leitura de grupo, é saber quando
avançar e quando segurar, é entender que cada coro tem um tempo próprio, e que
respeitar esse tempo não é fraqueza, é inteligência. Para além, éramos amigos e
nos "divertíamos" muito sendo uma turma que crescia a cada dia para
ser tornar um ótimo grupo.
Quando deixei o grupo, em 2000, saí diferente de como havia
chegado. Não apenas mais experiente, mas mais consciente do tipo de músico e de
regente que eu queria ser. Alguns aprendizados só acontecem assim: no convívio
prolongado, no trabalho contínuo, na confiança construída ao longo dos anos.
Este texto é o começo dessa lembrança. Outras histórias
virão. Outros nomes, outros momentos, outros repertórios. Mas o Coral Acesita
ocupa um lugar muito claro na minha trajetória: foi um tempo de formação
profunda, vivido com pessoas que fizeram daquele coro muito mais do que um
projeto musical.
Foi um lugar de vida.
Fiquei pouco tempo com vcs, infelizmente, vc foi embora, e eu, perdi a graça de participar com outro regente, vc é o " cara," nos ensinava como carinho, amor e muitaaaa paciência.
ResponderExcluirMuito obrigada?
Fiz parte do coral Acesita, contudo o infantil. Sempre que tenho oportunidade digo ao Arnon o quanto ele fez diferença na vida daquelas crianças. Não é uma opinião somente minha, mas de todos. Quando saiu em 2000 até nossos pais sentiram e lamentaram muito. Não conseguimos permanecer também, mas Arnon, o tempo que ficou você ensinou demais. Nosso sentimento era verdadeiro por você, e continua sendo.
ResponderExcluirGrande abraço.
Douglas