Como eu disse em outro post, o Minas Cantat(1) proporcionava um espaço de apresentação dos coros do estado, mas, mais do que isso, se constituía como um lugar de aprendizado. Ali, os coros tinham a possibilidade de assistir uns aos outros, aprender com isso e buscar novas formas de expressão a partir do contato com grupos mais experientes e com repertórios diversos.
O Coral Acesita soube aproveitar muito bem esse ambiente, não necessariamente como algo consciente, planejado, mas foi o que aconteceu, de forma natural. Se observarmos até mesmo o uniforme do coro, é possível perceber que houve uma mudança de objetivos ao longo dos anos. E pelos anos,
- 1995 foi o ano da entrada do coro em um festival de maior porte, ainda que já tivesse participado de encontros em sua cidade e na região;
- 1996 já revela um outro momento: um coro mais amadurecido, com uma personalidade mais definida, sustentado por cantores mais experientes e comprometidos com o aprimoramento do repertório e das apresentações;
- 1997 marca um ponto importante. Após uma excelente apresentação, o coro foi selecionado para um encontro regional realizado alguns meses depois, uma seleção que reuniu apenas dez coros em uma apresentação especial. Um arco muito claro de progresso, reconhecimento e investimento.
Para além da ideia de coro de empresa, que carregava, sim, a identidade da siderúrgica, havia ali um grupo com compromisso real com a prática coral e com um desenvolvimento coletivo. Os cantores não mediam esforços para estar presentes, para melhorar individualmente e contribuir com o coletivo. Não tenho dúvidas de que, mesmo sem o suporte da empresa, aquele coro encontraria meios de continuar existindo.
Em paralelo, eu próprio seguia em processo de aprendizado. O trabalho com coros amadores exige uma maneira muito particular de condução, baseada, em grande medida, na repetição. Foi nesse contexto que fui refinando esse processo e me tornando mais eficiente no seu uso, algo que ainda hoje utilizo, inclusive com coros profissionais, pela agilidade que permite na construção de repertórios e concertos.
Sempre acreditei que um coro não pode se sustentar na repetição constante de de uma produção. Ele precisa produzir, amadurecer, transformar-se, seja tecnicamente, seja na sua maneira de interpretar. Não se pode aceitar o coro como um espaço apenas de lazer ou de repetição de um mesmo repertório. Seu crescimento precisa ser observado ano a ano, sobretudo em comparação consigo mesmo.
E o Coral Acesita tinha isso de forma muito clara. Não havia acomodação após uma conquista. Cada resultado abria novas exigências e novos caminhos precisavam ser buscados. Com o tempo, o Acesita começou a deixar de ser apenas um coro da Acesita, mas passou a ser um nome reconhecido no cenário coral mineiro. Ele não não apareceu pronto. Foi se afirmando à vista de todos.
(1) Blog do Maestro Arnon: Minas Cantat - Encontro de Corais Mineiros
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