O Coral Acesita, fundado em 1987, já havia se consolidado como uma iniciativa importante dentro da empresa, com atuação constante em eventos internos e externos. A partir de 1993, com mudanças na estrutura da companhia e maior incentivo às atividades culturais, o coro entra em uma nova fase.
O mesmo ocorre com outros grupos da região.
Em 1994, o Coral Acesita realizou um encontro que, quando observado hoje, ajuda a compreender um momento específico da prática coral no Brasil, especialmente em Minas Gerais.
O evento estava inserido nas comemorações dos 50 anos da Acesita. Não foi uma ação isolada: naquele contexto, o coro também realizou a gravação de seu primeiro CD. Havia, portanto, um investimento claro, estruturado e simbólico na atividade cultural da empresa.
Participavam coros ligados diretamente a empresas: Acesita, Usiminas, Vale do Rio Doce e Krupp. A Acesita assumiu integralmente os custos do projeto, incluindo transporte, hospedagem e alimentação dos grupos convidados, o que evidencia a dimensão e a prioridade atribuída ao evento.
Entre os participantes, o Coral Usiminas, criado em 1978 e então sob a regência de Otacílio Barreto, já estava inserido em uma política institucional mais ampla. Em 1993, a empresa havia criado o USICULTURA, consolidando o investimento em ações culturais na região de Ipatinga e também em Belo Horizonte.
O Coral Voz das Minas, regido por Marco Antônio Drummond, havia sido fundado em 1993 pela Vale do Rio Doce, como parte de um plano de comunicação que incluía a criação de atividades culturais em suas unidades.
No mesmo período, o Coral Krupp, sob a regência de Marco Antonio de Almeida Fonseca, estava vinculado ao Centro Cultural Campo Limpo, de Campo Lindo Paulista (SP).
O encontro de 1994, portanto, não reunia apenas coros. Ele evidenciava um modelo de atuação: empresas industriais que estruturavam e mantinham grupos corais com seus próprios funcionários, integrando essas atividades à sua política institucional.
Isso tem implicações importantes. Esses coros não eram apenas espaços de prática musical. Funcionavam também como núcleos de formação, circulação e difusão cultural em regiões fora dos grandes centros.
O Vale do Aço, naquele momento, passa a apresentar uma atividade coral consistente, articulada e com continuidade. Logo em seguida, a Usiminas criaria o Coral Intendente Câmara, na cidade de Ipatinga.
O encontro promovido pelo Coral Acesita sintetiza esse processo. Mais do que um evento pontual, ele revela como o canto coral esteve inserido em uma lógica mais ampla de investimento cultural por parte das empresas, algo que, hoje, aparece de forma muito mais fragmentada.
Que acervo incrível. Parabens maestro
ResponderExcluirQuando a Sociedade Coral de MG, Coro da Ópera do Xico Nunes, sob a iniciativa e Regência do Maestro Magnani executou o REQUIEM DE VERDI, O 2o Coro foi assumido pelo Coro da Igreja da Floresta. O fato demonstrou como na época havia difusão coral em MG e em especial BH. E isso ocorreu em 1956.
ResponderExcluirO comentário é de João Gomes de Oliveira, membro do Coro da Socciedade Coral.
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