domingo, 18 de janeiro de 2026

Carlos Alberto Pinto Fonseca: algumas reflexões que continuam valendo

Carlos Alberto Pinto Fonseca continua sendo, para mim, uma grande referência como compositor, como regente e como pensador do fazer coral. Ao longo dos anos, muito se falou da sua música, mas talvez se fale menos do quanto ele pensava o trabalho coral de maneira profunda, prática e extremamente responsável.

Esse documento, que aqui disponibilizo, foi escrito por ele em 1980. São reflexões em torno de elementos básicos da regência coral. Não se trata de um tratado acadêmico nem de um manual fechado. É um texto de maestro para maestros, de alguém que viveu intensamente o movimento coral e sentiu a necessidade de compartilhar observações, cuidados, alertas e princípios a partir da experiência concreta.

Carlos Alberto escreve sobre repertório, preparo de peça, estilo, andamento, fraseio, técnica vocal e técnica de regência, mas escreve sempre a partir de uma ideia central: respeito à música, às vozes e às pessoas. Não há concessão ao efeito fácil, nem indulgência com improvisos mal fundamentados. Ao mesmo tempo, não há dogmatismo. Há clareza, exigência e compromisso com a verdade musical. O texto nasceu, inclusive, de uma situação muito específica: após um encontro de corais, ele foi provocado a fazer críticas diretas aos grupos. Opta por não fazê-las. Em vez disso, prefere falar dos problemas de maneira geral, sem expor ninguém. Isso diz muito sobre sua ética. Criticar, para ele, não era apontar o outro, mas fortalecer o campo.

Lendo hoje, mais de quarenta anos depois, impressiona o quanto essas reflexões permanecem atuais. A preocupação com repertório adequado ao grupo, com dicção, com estilo, com o uso consciente dos chamados “efeitos”, com a técnica vocal e com a clareza do gesto continuam sendo questões centrais do fazer coral, talvez ainda mais num tempo em que a pressa, a visibilidade e o produto final muitas vezes se sobrepõem ao processo.

Transcrevi esse documento com cuidado e o disponibilizo aqui na íntegra, para quem quiser ler, estudar, concordar, discordar, dialogar, não como peça de museu, mas como material vivo, que pode, e deve, provocar reflexão. Na minha opinião, Carlos Alberto não escrevia para impressionar. Ele escrevia para formar. E isso, hoje, é valioso demais para ficar guardado.

👉 O arquivo está disponível para download para todos os interessados. 

📕 Reflexões Carlos Alberto Pinto Fonseca





 

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