Vou seguir com uma canção que não anuncia o começo do ano com clarins, mas que prefere regar. Chovendo na Roseira é daquelas que chegam de mansinho, molham o chão, esperam. E, quando a gente percebe, algo já começou a brotar.
Composta por Tom Jobim, essa música guarda uma alegria que não precisa de pressa. É alegria de quem confia no tempo, de
quem sabe que a flor não responde a calendário, responde a cuidado. O texto é
simples, quase conversado, e a melodia se espalha como água boa, sem alarde,
mas indispensável.
No arranjo de Hely Drummond, nada é excesso, nada é brilho gratuito. O desenho coral respeita a respiração da música e deixa que o essencial apareça: o balanço interno, a palavra clara, a leveza que sustenta. As vozes não disputam espaço: se apoiam. É música que se oferece, não que se impõe.
Chovendo na Roseira não promete colheita imediata. Ela apenas faz o que a música faz de melhor: prepara o terreno. E, no fundo, é disso que um bom começo de ano precisa.
Chovendo
na roseira - Coro Madrigale (2010)
Viva a roseira, Jobim, Eli e o coro Madrigale
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