No concerto internacional do Madrigale, Beat It, de Michael Jackson, apareceu como escolha clara de repertório. Ela é uma música marcada por pulso, tensão e atitude. Fala de confronto, de recusa da violência como espetáculo, de afirmação pessoal sem necessidade de força bruta. É uma canção direta, quase física, construída para impactar, e o desafio, no contexto coral, é não diluir essa energia.
Mark Brymer entendeu bem esse ponto ao fazer seu arranjo para coro. Ele
não tenta “embelezar” a música nem traduzi-la para um universo coral
excessivamente sofisticado. O foco está no ritmo, na clareza do texto, na
construção coletiva do groove. O coro funciona como bloco sonoro, sustentando a
pulsação e o caráter da obra.
No contexto do concerto internacional, cantar pop em coro não era simplificar, mas mudar o ponto de escuta. Nessa perspectiva, a música deixa de ser individual, deixa de ser gesto solitário, e passa a existir como ação coletiva. Para o Coro Madrigale, essa peça também funcionou como afirmação de versatilidade. Um coro que transita entre repertórios sacros, eruditos, brasileiros e populares não o faz por ecletismo vazio, mas por entender a música como experiência humana ampla.
Beat It, no palco, é impacto imediato. O público reconhece a música, mas escuta outra coisa. Escuta a força do conjunto, a precisão rítmica, o texto dito por muitas vozes. O que antes era solo vira corpo coletivo. Beat It, ali, não pediu desculpas. Entrou em cena e ficou.
🎬 Madrigale
Pop Internacional – 10. Beat It
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu nome e e-mail para que eu responda. Obrigado.