sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Beat It (Internacional Madrigale)

No concerto internacional do Madrigale, Beat It, de Michael Jackson, apareceu como escolha clara de repertório. Ela é uma música marcada por pulso, tensão e atitude. Fala de confronto, de recusa da violência como espetáculo, de afirmação pessoal sem necessidade de força bruta. É uma canção direta, quase física, construída para impactar, e o desafio, no contexto coral, é não diluir essa energia.

Mark Brymer entendeu bem esse ponto ao fazer seu arranjo para coro. Ele não tenta “embelezar” a música nem traduzi-la para um universo coral excessivamente sofisticado. O foco está no ritmo, na clareza do texto, na construção coletiva do groove. O coro funciona como bloco sonoro, sustentando a pulsação e o caráter da obra.

No contexto do concerto internacional, cantar pop em coro não era simplificar, mas mudar o ponto de escuta. Nessa perspectiva, a música deixa de ser individual, deixa de ser gesto solitário, e passa a existir como ação coletiva. Para o Coro Madrigale, essa peça também funcionou como afirmação de versatilidade. Um coro que transita entre repertórios sacros, eruditos, brasileiros e populares não o faz por ecletismo vazio, mas por entender a música como experiência humana ampla. 

Beat It, no palco, é impacto imediato. O público reconhece a música, mas escuta outra coisa. Escuta a força do conjunto, a precisão rítmica, o texto dito por muitas vozes. O que antes era solo vira corpo coletivo. Beat It, ali, não pediu desculpas. Entrou em cena e ficou.

 

🎬 Madrigale Pop Internacional – 10. Beat It

 

Grupo de música no palco

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