No ano de 2008, tivemos, entre nossos cantores, um britânico chamado Jamie Brown. O Zeb, como era conhecido por nós, era um jovem compositor que, naquela ocasião, buscava experiências em nossa terra. Veio ao Brasil para ficar com amigos e acabou permanecendo por cerca de um ano. Nos conhecemos por acaso e ele quis cantar no coro, no naipe dos baixos.
Quando estávamos preparando nosso concerto de música sacra,
ele me apresentou uma peça sua, escrita em 2007: O Oriens. A obra foi
imediatamente inserida no programa.
O Oriens tem uma característica especial: é escrita
para várias vozes femininas, com duas solistas separadas do coro. A catedral
possui dois púlpitos no altar, o que proporcionava as condições exatas para a
ideia original da peça. Assim, o coro ficou disposto na escadaria defronte ao
altar, enquanto as duas solistas (Clara Guzella e Márcia Maria Reis Teixeira) ocuparam os púlpitos, uma de cada lado.
Destaco a qualidade da escrita de Brown.
Diferente de muitos compositores contemporâneos que não se preocupam
propriamente com a escrita coral, mas com a demonstração de técnicas
composicionais, ele demonstra conhecimento claro dos processos do coro. As
vozes são bem divididas, escritas de forma a explorar as capacidades de cada
naipe, sem dificuldades mirabolantes de afinação.
À época, Jamie já tinha uma formação sólida no Reino Unido e
um interesse evidente pela relação entre música, texto e narrativa. Isso
aparece com clareza nesta obra que é pensada para o espaço, para as
vozes e para o gesto musical coletivo.
Foi um desses encontros felizes. Um compositor que cantava no
coro e cuja interpretação musical nasceu naturalmente desse convívio.
Jamie Brown (Zeb)
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