quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O Oriens - Jamie Brown

No ano de 2008, tivemos, entre nossos cantores, um britânico chamado Jamie Brown. O Zeb, como era conhecido por nós, era um jovem compositor que, naquela ocasião, buscava experiências em nossa terra. Veio ao Brasil para ficar com amigos e acabou permanecendo por cerca de um ano. Nos conhecemos por acaso e ele quis cantar no coro, no naipe dos baixos.

Quando estávamos preparando nosso concerto de música sacra, ele me apresentou uma peça sua, escrita em 2007: O Oriens. A obra foi imediatamente inserida no programa.

O Oriens tem uma característica especial: é escrita para várias vozes femininas, com duas solistas separadas do coro. A catedral possui dois púlpitos no altar, o que proporcionava as condições exatas para a ideia original da peça. Assim, o coro ficou disposto na escadaria defronte ao altar, enquanto as duas solistas (Clara Guzella e Márcia Maria Reis Teixeira) ocuparam os púlpitos, uma de cada lado.

Destaco a qualidade da escrita de Brown. Diferente de muitos compositores contemporâneos que não se preocupam propriamente com a escrita coral, mas com a demonstração de técnicas composicionais, ele demonstra conhecimento claro dos processos do coro. As vozes são bem divididas, escritas de forma a explorar as capacidades de cada naipe, sem dificuldades mirabolantes de afinação.

À época, Jamie já tinha uma formação sólida no Reino Unido e um interesse evidente pela relação entre música, texto e narrativa. Isso aparece com clareza nesta obra que é pensada para o espaço, para as vozes e para o gesto musical coletivo.

Foi um desses encontros felizes. Um compositor que cantava no coro e cuja interpretação musical nasceu naturalmente desse convívio.

 

🎬 O Oriens - Brown

 

 

Homem com a boca aberta

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 Jamie Brown (Zeb)

 

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