Em 1963, o Madrigal Renascentista recebeu a Medalha da Inconfidência. Hoje essa informação pode parecer apenas mais uma linha em uma cronologia, mas vale lembrar um detalhe: o coro tinha apenas seis anos de existência. Seis anos!!!
Era um grupo jovem, formado em Belo Horizonte, distante dos
grandes centros musicais do país e ainda construindo sua identidade. Mesmo
assim, já havia alcançado um nível de visibilidade suficiente para ser
homenageado pelo Governo de Minas Gerais com uma das principais distinções do
estado.
A medalha dizia muito mais do que parece à primeira vista. Naquele início dos anos 1960, Minas Gerais investia fortemente na construção de uma imagem de modernidade cultural. Universidades cresciam, instituições artísticas se fortaleciam e surgiam iniciativas que buscavam projetar o estado para além de suas fronteiras.
O Madrigal passou a ocupar um lugar importante nesse cenário. Não era apenas um coro que cantava bem. Tornava-se um símbolo de que Minas podia participar ativamente da vida musical brasileira em alto nível.
Talvez esse seja o aspecto mais interessante da homenagem. A medalha foi entregue a um coro. Mas, de certa forma, reconhecia também uma ideia: a de que a cultura poderia ser instrumento de afirmação pública, de identidade e de prestígio.
Poucos grupos artísticos conseguem alcançar esse lugar tão cedo. O Madrigal conseguiu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu nome e e-mail para que eu responda. Obrigado.