sexta-feira, 12 de junho de 2026

Dia dos namorados 2026

O Dia dos Namorados costuma ser acompanhado por grandes palavras. Paixão. Destino. Alma gêmea. Amor eterno. Talvez por isso eu goste tanto de uma pequena peça coral chamada Dirait-on, do compositor norte-americano Morten Lauridsen.

Já a ensaiei algumas vezes ao longo dos anos, e sempre me chama atenção a delicadeza com que ela trata um tema tão frequentemente cercado por exageros. A obra faz parte de um ciclo inspirado em poemas de Rainer Maria Rilke. Em vez de falar do amor como conquista ou declaração, o texto utiliza a imagem de uma rosa que se dobra sobre si mesma, uma rosa que parece repetir a própria essência. Essa ideia é linda.

Com o passar do tempo, aprendemos que os relacionamentos duradouros raramente são feitos apenas de grandes momentos. Eles vivem das pequenas permanências, dos hábitos compartilhados, das conversas repetidas, dos silêncios confortáveis, das histórias que já foram contadas muitas vezes e continuam encontrando espaço para existir. A música de Lauridsen parece compreender isso. As vozes avançam como quem não tem pressa, as harmonias se abrem devagar, as frases retornam transformadas, como se a própria música estivesse observando um sentimento amadurecer. Nada nela busca impressionar pela força. Tudo acontece pela delicadeza.

Neste Dia dos Namorados, lembrei-me de Dirait-on. E da beleza que existe nas relações que aprendem a florescer sem pressa naquilo que permanece, na presença que continua, no cuidado que atravessa os anos sem precisar anunciar a si mesmo. E se miram no espelho como um Narciso que se apaixona pela própria beleza. Dois em um de forma narcísica. E viva a beleza dos Namorados!!!

🎬 Dirait-on (Morten Lauridsen) - Coro Madrigale (2013)



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