Entre as muitas obras da música coral brasileira, poucas me acompanham há tanto tempo quanto a Missa em Si bemol, do Padre José Maurício Nunes Garcia.
Minha relação com ela começou ainda na infância, quando a cantei como Menino Cantor. Anos depois, já regente, tive a alegria de conduzi-la em missas solenes na Basílica Cura D'Ars. Mais recentemente, voltei a ela numa celebração no Carmelo de Belo Horizonte. É uma dessas obras que parecem caminhar conosco pela vida, não porque imponham presença, mas porque voltam sempre no momento certo.
Escrita em 1801 para três vozes e acompanhamento de órgão, a Missa em Si bemol revela uma faceta diferente do Padre José Maurício. Quem conhece suas obras mais monumentais talvez se surpreenda com a delicadeza desta partitura. Aqui não há grandiosidade das grandes missas festivas, mas há um puro recolhimento. O Kyrie já anuncia esse caráter com linhas vocais que se entrelaçam com leveza e com solos que surgem quase como oração pessoal, tudo construído para um ambiente de proximidade, de escuta atenta, de devoção serena. A música não precisa elevar a voz para dizer o que tem a dizer.
É a sua simplicidade que explica a permanência dessa pequena missa. Mais de dois séculos depois de escrita, ela continua plenamente capaz de cumprir sua função musical e litúrgica e de tocar quem canta, não apenas quem ouve.
Como acredito que repertório existe para ser cantado, estou organizando um espaço para disponibilizar partituras de obras brasileiras de domínio público ou de circulação difícil. A Missa em Si bemol certamente está entre elas. Quem tiver interesse, é só clicar no link para baixar as partituras da Missa em Si bemol:
🎵 Missa em Si bemol - Pe. José Maurício Nunes Garcia
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