Meu primeiro contato com a Missa em Fá de Lobo de Mesquita aconteceu ainda nos tempos de menino cantor, num Encontro de Meninos Cantores em que descobri que existia um repertório brasileiro muito anterior ao século XX, e que ele podia ser tão fascinante quanto qualquer grande obra europeia. Foi um dos meus primeiros contatos com a música colonial mineira, universo que me acompanharia por toda a vida.
Anos mais tarde, já como regente, voltei à obra por outro caminho. A partir de uma partitura copiada por Magnani e de materiais dos acervos de Ouro Preto, preparei uma edição própria. Trabalhar com música colonial significava lidar com manuscritos, fotocópias nem sempre perfeitas e um permanente trabalho de conferência entre fontes.
Lobo de Mesquita é uma das figuras centrais dessa história. Nascido em Minas Gerais na segunda metade do século XVIII, sua música revela domínio técnico impressionante, refinamento melódico e uma capacidade rara de equilibrar solenidade litúrgica e clareza expressiva. A Missa em Fá é um belo exemplo: não é obra construída para impressionar pela grandiosidade. Sua força está na elegância da escrita, no equilíbrio das vozes e na naturalidade com que música e texto caminham juntos.
Ao longo dos anos reencontrei essa missa em diferentes momentos: em missas solenes na Basílica do Cura D’Ars com o Madrigale e em diferentes ocasiões com o Coral BDMG. Ela continua viva, comunicativa e significativa após mais de duzentos anos, o que talvez seja a maior virtude da música colonial mineira: ela não pertence apenas aos arquivos e às pesquisas acadêmicas. Quando volta a soar em igrejas e celebrações, recupera algo de sua função original.
Para quem desejar conhecer ou estudar a obra, disponibilizo aqui a partitura que utilizei ao longo desses anos.
🎵 Missa em Fá - Lobo de Mesquita
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