terça-feira, 9 de junho de 2026

Montserrat e os Meninos Cantores BDMG

 No dia 19 de outubro de 2012, o Coral BDMG seguiu para Montserrat. Quem já esteve lá sabe que é difícil separar a montanha, o mosteiro, a espiritualidade e a música. A paisagem impressiona, a basílica impressiona, turistas chegam de todas as partes do mundo. E no centro de tudo isso estão os Meninos Cantores de Montserrat.

Para mim, aquele lugar carregava um significado muito particular. Quando eu era Menino Cantor, em Minas Gerais, estudávamos por um método de canto desenvolvido pela Escolania de Montserrat. O nome daquele coro fazia parte do meu cotidiano muito antes de eu sequer imaginar que um dia pisaria naquele mosteiro. A chegada, por isso, teve um sabor diferente porque, para mim, não era apenas uma visita, era o encontro com uma referência que me acompanhava desde a infância.

Naquele dia, dois grupos convidados fariam pequenas apresentações antes da participação dos Meninos Cantores: um coro da Lituânia e o Coral BDMG. Nossa apresentação aconteceu na escadaria do altar, diante de uma igreja cheia de turistas, visitantes e peregrinos que esperavam pelo momento mais tradicional da programação. Mas antes dos meninos, cantamos nós.

Lembro-me de uma boa apresentação do Alleluia de Gordon Young, de uma Ave Maria bem construída e de um Pater Noster que talvez não tenha alcançado o mesmo nível das outras obras. Ainda assim, saímos com a sensação de termos feito mais do que esperávamos. O local e a atmosfera ajudavam, mas havia também algo especial acontecendo dentro do próprio coro. O Coral BDMG vivia uma fase muito madura de sua trajetória, e isso aparecia na maneira como o grupo ocupava o espaço, ouvia uns aos outros e construía sua sonoridade.

Depois vieram os Meninos Cantores. Enquanto os escutava, pensei menos como regente e mais como aquele menino que havia aprendido sobre Montserrat através de um livro de exercícios vocais. Uma partitura estudada na infância, um coral em Belo Horizonte, um mosteiro na Catalunha, décadas de distância entre uma coisa e outra, e de repente tudo no mesmo lugar.

Quando deixamos Montserrat naquele dia, o Coral BDMG levava consigo a lembrança de uma bela apresentação. Eu também levava isso… e algo mais: a sensação rara de ter realizado um sonho que começou muito antes de eu saber que era um sonho.


















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