Uma canção, um gesto de contemplação, um olhar que se demora sobre o mundo. E, de repente, uma pergunta:
Mas pra quê?
Pra quê tanto céu?
Pra quê tanto mar?
Na poesia, a paisagem aparece inteira diante de nós: o céu, o mar, a tarde, o vento, as flores pelo caminho. Tudo está ali, vasto, silencioso, aparentemente completo. E, no entanto, surge a inquietação: com a ausência, percebemos que a beleza do mundo não se basta sozinha. A paisagem precisa de um olhar que a reconheça, de uma sensibilidade que a transforme em experiência.
A onda que quebra no vento da tarde continua sendo bela. As flores continuam nascendo pelo caminho. O céu continua imenso. Mas a pergunta permanece suspensa:
De que serve a tarde?
Essa canção, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, guarda algo muito próprio da sensibilidade brasileira: essa maneira quase filosófica de olhar o mundo através de imagens simples da natureza. A paisagem deixa de ser apenas cenário e passa a ser reflexão.
Talvez seja essa a beleza maior da canção: transformar céu, mar, vento e flores em uma pergunta que permanece aberta, e, de algum modo, profundamente humana.
🎬 Inutil
paisagem - Coro Madrigale
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