Em 2010, no HelyElas, decidimos incluir a Encabulada, de Antônio Carlos e Jocafi, porque o Hely gostava muito dessa música e, por isso mesmo, caprichou no arranjo.
Antônio Carlos Marques Pinto, guitarrista ligado à orquestra do maestro Carlos Lacerda, e Jocafi (José Carlos Figueiredo), compositor que já tinha prestígio na Bahia quando se conheceram em 1968, formaram uma das duplas mais marcantes da canção brasileira das décadas de 60 e 70. Suas músicas ganharam o país na voz de Maria Creuza, que mais tarde se casaria com Antônio Carlos, e também nos registros que gravaram pela RCA, como Você Abusou e Toró de Lágrimas. Migraram da Bahia para o Rio, participaram de festivais, tiveram obras em trilhas de novelas e seguiram compondo.
Essa música tem uma leveza rítmica que exige precisão sem rigidez. O balanço não pode escorregar para caricatura. O coro precisa cantar com naturalidade, sem “interpretar demais” a canção. O risco está justamente aí: quando um grupo coral tenta ser mais popular do que a própria música permite, perde-se a elegância.
Lembro do ensaio em que percebemos isso. A primeira leitura
estava correta, afinada, mas excessivamente marcada. Havia esforço demais em
parecer descontraído. Tivemos que limpar a interpretação, retirar gestos
desnecessários, devolver à peça a simplicidade que ela pede. Canções populares,
quando bem escritas, não precisam de adorno.
Em 2010, cantar Encabulada foi um exercício de medida. Nem excesso de solenidade, nem informalidade artificial. Apenas o som coletivo tentando respeitar a natureza da peça.
🎬 Encabulada - Coro Madrigale
(2010)
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