O começo do Madrigale não foi com anúncio nem com a sensação de fundação. Não havia a ideia de criar um coro que duraria décadas, nem a intenção de estabelecer um nome. Havia, antes de tudo, um grupo de pessoas que já vinha de um percurso comum, que gostava de cantar junto e que encontrou uma oportunidade concreta de cantar um tipo de repertório que gostavam.
Os cantores que deram forma a essa primeira ideia vinham de lugares distintos, mas traziam algo em comum. Havia ali pessoas que tinham passado pelo Coral da Ação Social Menino Jesus, um grupo que se encerrou não por falta de qualidade, mas por falta de verba. E havia também cantores do Newton Paiva, coro que dirigi por cerca de seis meses e que, apesar de muito bom, não se sustentou para mim, não por incapacidade do grupo, mas porque a minha maneira de trabalhar não correspondia ao que eles esperavam.
Essas duas
experiências se encontraram num ponto curioso: eram cantores que queriam
continuar cantando. Que não estavam dispostos a aceitar o fim de um grupo como
fim do canto. A ideia de montar um novo coro surgiu quase como continuidade
natural, não como ruptura. Nos juntamos, ensaiamos, apostamos...
Ficamos cerca de três meses preparando para um primeiro concerto. Sem pressa, sem garantias, sem horizonte muito longo. Apenas o tempo necessário para que o repertório ganhasse corpo e o grupo começasse a se reconhecer como conjunto. No meio do caminho, nos demos conta de que não tínhamos um nome. Me lembro de Kátia com um dicionário de termos musicais na mão e descartando nomes. Aí apareceu a palavra em uma peça de Monteverdi. Todos sorriram e, pronto, lá estava acertado o nome do conjunto.
Eu era aluno da Escola de Música da UFMG. Consegui o auditório e fomos cantar. Assim começou o... MADRIGALE.
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