quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Swingle Singers

Me permitam trazer mais um grupo vocal para o conhecimento de todos, o Swingle Singers. Este é um ícone que ocupa um lugar singular na história da música vocal do século XX. Criado em Paris, em 1962, por Ward Swingle, o grupo nasceu quase por acaso, como tantas boas ideias na música. Reunidos inicialmente para trabalhos de estúdio e como cantores de apoio de nomes centrais da canção francesa, como Charles Aznavour e Edith Piaf, os cantores da primeira formação usavam Bach como exercício diário de afinação, precisão e escuta coletiva.

O ponto de virada veio quando perceberam que aquelas linhas rigorosas do Cravo Bem Temperado continham um balanço interno surpreendente. O resultado foi o álbum Jazz Sebastian Bach, gravado inicialmente sem pretensões comerciais, quase como um presente privado. O sucesso espontâneo nas rádios transformou o experimento em fenômeno internacional. De repente, Bach "swingava", não por caricatura, mas por compreensão profunda de ritmo, articulação e contraponto. O grupo viria a conquistar cinco prêmios Grammy, algo raríssimo para um conjunto vocal a cappella.

Em 1973, a primeira formação se dissolveu. Ward Swingle mudou-se para Londres e refundou o grupo, que passou por diferentes nomes (Swingle II, The New Swingle Singers, The Swingles) até reassumir o nome original. Mais importante que a nomenclatura, porém, foi a continuidade do projeto: desde então, o grupo nunca deixou de existir. As vozes mudaram, as formações se renovaram, mas a ideia permaneceu.

Segundo informações da página oficial do conjunto, o Swingle Singers atua hoje como um coletivo internacional, reunindo cantores de diferentes nacionalidades, todos com sólida formação em leitura, estilo e técnica vocal. O repertório expandiu-se muito além de Bach: música contemporânea, arranjos de jazz, pop, trilhas de cinema e encomendas a compositores atuais convivem com o núcleo barroco que fundou sua identidade. O grupo mantém intensa atividade de concertos, gravações, colaborações com orquestras e projetos educacionais, sempre reafirmando o canto a cappella como linguagem viva e em permanente reinvenção.

Algo notável: apesar da virtuosidade extrema, o Swingle Singers nunca se construiu como vitrine de individualidades. O impacto vem do conjunto, da escuta mútua, da precisão coletiva levada ao limite. Cada voz sabe exatamente quando aparecer e, sobretudo, quando desaparecer. É por isso que, passadas tantas décadas, o grupo segue atual, não apenas como curiosidade histórica ou ícone do crossover, mas como exemplo de um princípio essencial da música coral: quando o coletivo funciona, a liberdade não diminui, ela se organiza.

 

Vejam o Swingle Swingers ao longo dos anos:

Les Swinger Singers J S Bach English Suite No2 Bourre 1969

Imagem em preto e branco de homens lado a lado

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 The Swingles Singers: Claro de luna

 Grupo de pessoas em pé

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THE SWINGLE SINGERS  -  Libertango

Pessoas no palco iluminado tocando instrumentos e cantando

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swingle singers-mission impossible

 

Grupo de pessoas posando para foto

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The Swingles - Blackbird/I Will (The Beatles A Cappella Cover)

 Mulher na frente de uma porta

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