Me permitam trazer mais um grupo vocal para o conhecimento de todos, o Swingle Singers. Este é um ícone que ocupa um lugar singular na história da
música vocal do século XX. Criado em Paris, em 1962, por Ward Swingle, o grupo
nasceu quase por acaso, como tantas boas ideias na música. Reunidos
inicialmente para trabalhos de estúdio e como cantores de apoio de nomes
centrais da canção francesa, como Charles Aznavour e Edith Piaf, os cantores da primeira formação usavam Bach como exercício diário de afinação, precisão e escuta coletiva.
O ponto de virada veio quando perceberam que aquelas linhas
rigorosas do Cravo Bem Temperado continham um balanço interno
surpreendente. O resultado foi o álbum Jazz Sebastian Bach, gravado
inicialmente sem pretensões comerciais, quase como um presente privado. O
sucesso espontâneo nas rádios transformou o experimento em fenômeno
internacional. De repente, Bach "swingava", não por caricatura, mas por
compreensão profunda de ritmo, articulação e contraponto. O grupo viria a
conquistar cinco prêmios Grammy, algo raríssimo para um conjunto vocal a
cappella.
Em 1973, a primeira formação se dissolveu. Ward
Swingle mudou-se para Londres e refundou o grupo, que passou por diferentes
nomes (Swingle II, The New Swingle Singers, The Swingles) até reassumir o nome original. Mais importante que a nomenclatura, porém, foi
a continuidade do projeto: desde então, o grupo nunca deixou de existir. As
vozes mudaram, as formações se renovaram, mas a ideia permaneceu.
Segundo informações da página oficial do conjunto, o Swingle
Singers atua hoje como um coletivo internacional, reunindo cantores de
diferentes nacionalidades, todos com sólida formação em leitura, estilo e
técnica vocal. O repertório expandiu-se muito além de Bach: música
contemporânea, arranjos de jazz, pop, trilhas de cinema e encomendas a
compositores atuais convivem com o núcleo barroco que fundou sua identidade. O
grupo mantém intensa atividade de concertos, gravações, colaborações com
orquestras e projetos educacionais, sempre reafirmando o canto a cappella como
linguagem viva e em permanente reinvenção.
Algo notável: apesar da virtuosidade extrema, o Swingle Singers nunca se construiu como vitrine de individualidades. O impacto vem do conjunto, da escuta mútua, da precisão coletiva levada ao limite. Cada voz sabe exatamente quando aparecer e, sobretudo, quando desaparecer. É por isso que, passadas tantas décadas, o grupo segue atual, não apenas como curiosidade histórica ou ícone do crossover, mas como exemplo de um princípio essencial da música coral: quando o coletivo funciona, a liberdade não diminui, ela se organiza.
Vejam o Swingle Swingers ao longo dos anos:
Les
Swinger Singers J S Bach English Suite No2 Bourre 1969
The Swingles Singers: Claro de luna
THE SWINGLE SINGERS - Libertango
swingle
singers-mission impossible
The
Swingles - Blackbird/I Will (The Beatles A Cappella Cover)
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