Quando encontrei Ballade to the Moon no YouTube, Daniel Elder era para mim apenas um nome ligado a uma música que eu ainda não conhecia. Estava, como faço constantemente, procurando repertório. Ouvi a peça, gostei imediatamente e resolvi levá-la ao Madrigale. Escrevi sobre ela aqui no blog quando estávamos preparando o concerto e, depois de tê-la efetivamente ensaiado e regido, fiquei com vontade de saber um pouco mais sobre quem a havia escrito.
Daniel Elder é um compositor norte-americano nascido em 1986. Sua produção tem presença importante da música vocal e coral, e suas obras vêm sendo publicadas por editoras como GIA, Hal Leonard, Walton Music, Edition Peters e Carus. É interessante encontrar um compositor ainda relativamente jovem com sua música já circulando por tantos grupos e instituições. Há aí também um exemplo bastante concreto da importância de uma estrutura editorial capaz de colocar a música nova em circulação. Eu, em Belo Horizonte, encontrei casualmente no YouTube uma obra de um compositor norte-americano, pude chegar à sua produção e levar aquela música para dentro do meu coro.
Ainda conheço pouco da obra de Elder. Na verdade, conheço efetivamente Ballade to the Moon. E prefiro dizer isso a procurar algumas gravações rapidamente e fingir uma familiaridade que ainda não tenho com seu catálogo. Mas essa única experiência já foi suficiente para despertar minha curiosidade. Elder me parece um ótimo escritor para coro, com uma expressividade que me encanta e uma linguagem bastante acessível. E uso “acessível” aqui como qualidade, não como sinônimo de música fácil ou simplificada.
Isso me interessa especialmente. Existe música contemporânea que parece exigir do ouvinte um conhecimento prévio para que ele consiga penetrar em sua linguagem. Não há problema algum nisso e esse repertório também tem seu lugar. Mas gosto muito de encontrar compositores capazes de escrever música nova, com uma linguagem do nosso tempo, e estabelecer uma comunicação imediata com quem ouve. Em Ballade, não é preciso conhecer procedimentos composicionais ou compreender sua estrutura para entrar naquele universo sonoro. A música nos convida.
No caso dessa peça, há ainda uma particularidade: o próprio Elder escreveu o poema que musicou. Quando trabalhei a obra, uma das coisas que mais me encantaram foi perceber como ele conseguiu produzir musicalmente a intenção contida no texto. A caminhada noturna, a presença da lua, a relação entre escuridão e luz, o caráter contemplativo... texto e música participam de uma mesma ideia expressiva. Não acredito, entretanto, que isso aconteça apenas porque ele escreveu os dois. Minha impressão é que estamos diante de um compositor com especial sensibilidade para a palavra, e tenho curiosidade de descobrir como essa característica aparece quando trabalha textos de outros autores.
Mas existe outra razão para eu querer acompanhar Daniel Elder. Depois de tantos anos trabalhando com música coral, continuo procurando repertório. Não quero que aquilo que conheci durante minha formação determine para sempre aquilo que meus coros cantarão. Bach, Brahms, Mozart, Villa-Lobos, Poulenc e tantos outros continuarão evidentemente fazendo parte desse universo, mas a música coral não terminou com os compositores que aprendemos a admirar no século XX. Há uma nova geração escrevendo para coro agora. Quero saber quem são essas pessoas e o que estão propondo.
O YouTube modificou enormemente essa procura. Uma descoberta leva a outra, uma gravação conduz a um compositor desconhecido, um coro do outro lado do mundo apresenta uma peça que alguns meses depois pode estar sobre nossas estantes. Evidentemente, é preciso procurar, ouvir muito e escolher. A quantidade de música disponível não significa necessariamente que todo repertório encontrado seja interessante. Mas significa que nunca tivemos tantas possibilidades de descoberta.
Daniel Elder foi uma dessas boas surpresas. Por enquanto, conheço uma peça, mas isso foi o suficiente para querer conhecer a próxima.
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