No Concerto Internacional Pop Rock do ano passado, Bohemian Rhapsody foi uma das músicas que mais interagiu com o público. Não tive muita dúvida de que ela deveria permanecer no programa deste ano. É um ícone do Queen, todo mundo conhece e espera por determinados momentos da música. Além disso, temos um ótimo arranjo de Mark Brymer, que explora muito bem as possibilidades do coro. Neste ano, resolvi juntá-la a Don’t Stop Me Now e criar um bloco dedicado ao Queen.
Bohemian Rhapsody é desses arranjos que demandam atenção. São muitas mudanças, entradas, articulações e maneiras diferentes de cantar dentro da mesma música. Mas a montagem foi bastante tranquila. Não buscamos reproduzir teatralmente aquilo que o Queen fazia e a interpretação ficou na própria maneira de cantar, nas mudanças de caráter e na sonoridade. E uma boa banda ajuda muito, o que foi o caso nesse show/concerto. Há um momento de que gosto especialmente: a entrada da guitarra. Ela mexe imediatamente com o coro e com o público. E lá estava o meu amigo Elias Santos, de quem sou fã incondicional.
Depois vem Don’t Stop Me Now. Se Bohemian Rhapsody já vai acumulando energia, a segunda música leva isso adiante. Era exatamente o que eu queria para o bloco: uma energia crescente, com a banda assumindo cada vez mais espaço junto com o coro. Curiosamente, depois do concerto passei a ouvir nossa gravação de Don’t Stop Me Now sistematicamente. Gosto muito do que aconteceu ali.
Eu não conhecia profundamente essa linguagem antes de trabalhar essas músicas. Precisei me aproximar delas, entender melhor como funcionam e o que pedem musicalmente. E foi justamente fazendo isso que percebi algo que talvez pareça estranho à primeira vista: há momentos em que cantar Queen me faz pensar na polifonia de um moteto.
Não estou dizendo, evidentemente, que Queen e Bach sejam a mesma coisa. Mas um bom arranjo coral de Bohemian Rhapsody não se sustenta apenas porque os cantores conhecem a música original. É preciso saber cantar em coro. Ouvir as outras linhas, entender como as vozes se encaixam, controlar entradas, articulações, equilíbrio, afinação e intensidade. Cada linha precisa funcionar sozinha e, ao mesmo tempo, fazer sentido dentro do conjunto. Isso é técnica coral.
Talvez aí esteja uma das coisas de que mais gosto nesses projetos. Muda o repertório, muda a linguagem, entra guitarra, baixo, bateria, teclado, e o público reconhece imediatamente músicas que fazem parte de sua história. Mas o instrumento continua sendo o mesmo: um coro.
E um coro não canta Bohemian Rhapsody bem apenas porque gosta de Queen. Precisa saber cantar.
🎬 Bohemian
Rhapsody - Madrigale Internacional Pop Rock 2026
🎬 Don't stop me now - Madrigale Internacional Pop Rock 2026
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