Há alguns dias, o meu amigo e Maestro Angelo Fernandes me enviou um arquivo que eu não conhecia: o primeiro volume de Música Sacra, de Heitor Villa-Lobos. O livro havia sido escaneado por Otávio Simões, regente do Coro Lírico de Manaus, e chegou até mim por essa boa prática que existe entre músicos de fazer partituras circularem. Eu conhecia algumas das obras separadamente. Já havia trabalhado com uma das Ave Marias e com o Pater Noster. Mas nunca tinha visto o volume completo.
E vê-las reunidas muda um pouco a percepção: o livro reúne 23 peças e começa com nada menos que nove Ave Marias. Depois aparecem Padre Nosso, Pater Noster, Tantum Ergo, Ave Verum, Sub Tuum, O Cor Jesu, O Salutaris, Cor Dulce, Cor Amabile, Panis Angelicus, Hino a Santo Agostinho, Praesepe, O Canto de Natal e Preces sem Palavras.
Também chama a atenção a variedade das formações. Há sobretudo música para coro misto a quatro vozes, mas também cânone a duas vozes, coro a cinco e seis vozes, coro masculino, canto com órgão ou piano, quarteto de cordas e outras combinações. A edição reúne ainda obras de diferentes momentos da produção de Villa-Lobos. Encontramos peças datadas das primeiras décadas do século XX e outras já próximas da publicação do volume, como o Pater Noster, de 1950, e diversas obras de 1952. Não é, portanto, um conjunto composto como unidade, mas uma reunião bastante ampla de sua produção sacra.
Isso me interessa especialmente porque a música sacra de Villa-Lobos me parece pouco frequentada pelos nossos coros. Algumas obras acabam sendo repetidas, enquanto uma parte considerável dessa produção permanece muito menos conhecida. Quando encontramos um livro como este, percebemos que existe uma diversidade maior do que aquela sugerida pelo repertório que normalmente circula.
E esse é justamente um dos motivos desta série de posts sobre repertório brasileiro. Partituras desaparecem das lojas, edições tornam-se raras, exemplares ficam guardados em bibliotecas e acervos particulares e, aos poucos, determinadas obras deixam simplesmente de chegar às mãos de quem poderia cantá-las. Disponibilizar esse material é uma maneira de preservar, facilitar o acesso e, principalmente, permitir que cada regente conheça o repertório e faça suas próprias escolhas.
Por isso faço questão também de registrar o caminho deste arquivo. Otávio Simões escaneou o volume. Angelo Fernandes o compartilhou comigo. E agora ele segue adiante.
A capa diz apenas: H. Villa-Lobos — Música Sacra — 1º Volume.
Dentro dela, há muito mais Villa-Lobos para conhecermos.
Para baixar o livro, clique aqui: H. Villa-Lobos — Música Sacra — 1º Volume.
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