Em abril de 1968, o Madrigal Renascentista estava mais uma vez em Brasília. O grupo havia sido convidado para participar das comemorações do oitavo aniversário da cidade e cantou na missa celebrada na Catedral.
Depois da cerimônia, Simão Lacerda, então diretor do Madrigal, aproximou-se do presidente Costa e Silva para convidá-lo para o concerto que o grupo faria naquela noite, no Teatro Martins Pena.
A resposta do presidente foi inesperada:
— Você vai me perdoar, mas não vou poder ir, pois estou um pouco rouco.
Simão respondeu na hora:
— Não tem importância, Presidente. O senhor não precisa cantar, não.
Segundo o relato publicado pela imprensa, Costa e Silva caiu na gargalhada.
A história é pequena, mas é dessas que gosto de encontrar quando pesquiso a trajetória do Madrigal Renascentista. No meio de programas, críticas, datas, repertórios e documentos oficiais, de repente aparece uma cena como essa. Por alguns segundos, aqueles personagens deixam de ser apenas nomes registrados nos jornais de 1968 e voltam a conversar diante de nós.
E há também um pouco do próprio Madrigal nessa história. O grupo circulava por Brasília, participava de cerimônias oficiais, cantava diante das autoridades e, poucas horas depois, estava no palco de um teatro. Em meio a tudo isso, Simão ainda encontrava espaço para uma resposta rápida — e bastante irreverente.
Mais de meio século depois, a piada continua boa.
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