The Cloths of Heaven, de Rebecca Dale. Essa é mais uma descoberta que me pegou desprevenido. Encontrei a peça por acaso no YouTube, na
interpretação do Voces8, e imediatamente reconheci ali uma delicadeza que
merece ser compartilhada.
A música me levou ao poema original de William Butler Yeats,
Aedh Wishes for the Cloths of Heaven. Trata-se de um texto curto sobre
amor, humildade e entrega. O eu-lírico começa oferecendo “os tecidos do céu”,
bordados de ouro e prata, mas logo admite que não os possui. O que tem, e o
que oferece, são seus sonhos, colocados aos pés da pessoa amada, com o pedido
para que ela pise leve. Lindo por si só.
Na peça, o poema ganha corpo: a leveza dos versos vira textura vocal; a simplicidade do gesto se traduz em tessituras acessíveis e em frases que exigem atenção ao detalhe e ao respiro coletivo. Não é um canto de ostentação, mas um canto de cuidado. É uma música que convida à escuta interna, ideal para coros que trabalham expressividade e precisão, e, por isso, imagino que funcione bem em formações diversas, inclusive coros com vozes mais maduras, em que a musicalidade depende mais da intenção do que da virtuosidade.
O que mais me impressionou foi a coerência entre poema e música. Assim como Yeats oferece seus sonhos, Dale oferece à voz um espaço para entregá-los também, com simplicidade e sobriedade. É uma obra curta, luminosa, e que diz muito, mesmo dizendo pouco. Exatamente como os bons poemas, e as boas músicas, costumam ser.
🎬 https://www.youtube.com/watch?v=UPhb0OYVeGw
The Cloths of Heaven
William Butler Yeats
Had I the heavens' embroidered cloths
Enwrought with golden and silver light
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.
Tradução livre:
Os Tecidos do Céu
William Butler Yeats
Se eu tivesse os tecidos bordados do céu,
Tramados com luz dourada e prateada,
Os tecidos azuis, tênues e escuros
Da noite, da luz e da meia-luz,
Eu estenderia esses tecidos sob os seus pés;
Mas eu, sendo pobre, tenho apenas meus sonhos;
Estendi meus sonhos sob os seus pés;
Pisa suavemente, pois pisas nos meus sonhos.
Muito linda obra. Acordar já ouvindo essa maravilhosidade é muito bom! Obrigada!
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