Nas minhas pesquisas recentes sobre coros, cheguei ao Harvard Opportunes, um grupo a cappella universitário de formação mista, fundado em 1980. Seguindo informações gerais, eles se dizem "um conjunto que nasceu fora de estruturas curriculares rígidas e se sustenta, ao longo do tempo, como prática coletiva regular de canto."
O grupo não é uma tentativa de
afirmar um ideal de excelência técnica como fim em si, mas se organiza a partir de outra lógica: cantar juntos como prática contínua,
integrada à vida universitária e às relações que ali se constroem. E o repertório, composto de música popular e arranjos contemporâneos, acompanha isso, escolhas que dialogam
com o tempo presente e com as vozes que o grupo tem nas mãos.
Há, nos materiais do próprio grupo, uma ênfase clara na convivência. Ensaios e apresentações aparecem menos como eventos isolados e mais como parte de um processo cotidiano. Isso recoloca uma questão antiga da prática coral: o coro não se define apenas pelo que apresenta em público, mas pelo modo como se organiza internamente. Mesmo quando os Opportunes participam de competições, realizam gravações profissionais ou circulam em turnês, procuram ser um grupo que se pensa como coletivo antes de se pensar como produto. E aí, a música surge como consequência de uma dinâmica interna estável, e não como finalidade única.
Esse tipo de experiência interessa porque ajuda a observar
como a prática coral universitária tem se reorganizado fora dos repertórios
tradicionais e das estruturas institucionais clássicas. Mudam os contextos,
mudam os repertórios, mudam os meios de circulação, mas permanece a ideia do
coro como espaço de escuta compartilhada, negociação constante e construção de
vínculos.
É nesse ponto que o Harvard Opportunes se torna um objeto
relevante de observação: não como exceção, mas como sintoma de um modo
contemporâneo de viver o canto coletivo.
BLACKBIRD
| The Harvard Opportunes (The Beatles Cover)
Maravilhoso esse grupo!! Não se vê esse tipo de performance aqui no Brasil. (Marco Verona)
ResponderExcluirInteressante que lendo o texto me trouxe muito o espaço musical de grande acolhimento que encontrei nos ensaios do Madrigale em BH. Além da música de qualidade ali produzida, a chegada, um cafezinho, comemorações de aniversários... tudo muito humano e compartilhado, como a música coral também é.
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