Recentemente, visitei o Coro da Universidade Nova de Lisboa, dirigido pelo maestro Diogo Gonçalves. Fui recebido com muita consideração e simpatia, tanto pelos cantores quanto pelo maestro, uma acolhida que me deixou verdadeiramente agradecido.
Logo no início do ensaio, tive uma surpresa especial: o coro
cantou O Magnum Mysterium, de D. Pedro de Cristo. Conheço a peça há bastante
tempo e já a cantei tanto no Madrigal Scala quanto no Coro Madrigale. Ouvi-la
novamente, ali, naquele contexto, trouxe uma sensação boa de reconhecimento,
quase como revisitar um espaço interno que a música guarda para nós.
Essa experiência despertou o desejo de escrever sobre a
obra, não apenas pela beleza que ela carrega, mas pelo lugar que ocupa na
tradição coral portuguesa e nas minhas próprias memórias musicais.
O Magnum Mysterium é um moteto natalino que celebra o
“grande mistério” da encarnação. Sua força não está em efeitos grandiosos, mas
na simplicidade: linhas vocais transparentes, fraseado claro e uma construção
polifônica que valoriza a palavra antes de qualquer ornamento.
O que mais me impressiona nessa peça é a naturalidade. Nada parece excessivo. Nada parece buscar brilho pelo brilho. É uma música que se apoia na precisão e no recolhimento. Cantar essa obra pede intenção, escuta e respeito ao texto, não apenas pela dimensão religiosa, mas pelo modo como a música cria um espaço interno de quietude. É uma peça que não se impõe; ela se revela. E talvez seja justamente isso que a torna tão marcante: ela nos lembra que o canto coral é feito de presença, atenção e equilíbrio. É música que não quer impressionar, quer iluminar.
A interpretação do Coro da Nova foi exatamente assim para
mim: tocante e bela. Um presente.
No próximo post, falo sobre o compositor que deu vida a esta obra e sobre o lugar que ele ocupa na tradição coral portuguesa.
🎧 O
Magnum Mysterium | D. Pedro de Cristo
Texto e tradução
Texto latino
O magnum mysterium,
et admirabile sacramentum,
ut animalia viderent Dominum natum,
jacentem in praesepio.
Beata Virgo cujus viscera
meruerunt portare
Dominum Iesum Christum.
Alleluia.
Tradução livre
Ó grande mistério
e admirável sacramento,
que os animais tenham visto o Senhor recém-nascido,
deitado na manjedoura.
Bem-aventurada a Virgem, cujas entranhas
mereceram trazer ao mundo
o Senhor Jesus Cristo.
Aleluia.

É uma peça que sempre gostei de cantar e não sei ainda explicar o por quê. Acho que o Arnon colocou parte disso no texto.
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