sexta-feira, 31 de julho de 2026

Um encontro para ouvir os coros do Núcleo de Música Coral da UFMG (por Bárbara “Bambis”)

No dia 05/07 passado, aconteceu mais uma Encontro de Corais do Núcleo de Música Coral da UFMG. Como eu não pude estar presente, pedi à Bambis, para além de bolsista do programa, que registrasse suas impressões sobre o que aconteceu na tarde. O texto a seguir é o olhar de quem acompanhou as apresentações da plateia e pôde perceber tanto a diversidade dos trabalhos quanto a importância de reunir, num mesmo espaço, grupos que passam o semestre trabalhando separadamente.

Texto escrito por Bárbara Bambis:

O encontro começou com o auditório já lotado. É verdade que os próprios coralistas ocupavam boa parte dos lugares: eram seis grupos reunidos, cada um acompanhado por seus cantores, regentes e pessoas próximas. Ainda assim, ver aquele espaço cheio, antes mesmo da primeira apresentação, ajudava a dimensionar o tamanho que o Núcleo de Música Coral alcançou.

A dinâmica foi simples e funcionou muito bem. Manu apresentava cada coro, o regente entrava, contava um pouco sobre o grupo, sobre os ensaios e sobre o trabalho realizado durante o semestre, explicava as músicas escolhidas e, então, começava a apresentação. Essa pequena fala antes de cada participação permitia que ouvíssemos os grupos conhecendo um pouco do caminho percorrido por eles. Nem todos estavam no mesmo momento, nem trabalhavam com os mesmos objetivos, e isso fazia parte da riqueza do encontro.

É interessante perceber como cada coro desenvolve sua identidade própria. Mudavam a disposição no palco, as roupas, o repertório, o modo de se relacionar com o público e até a maneira de entrar e sair de cena. Reunidos num mesmo evento, os grupos deixavam mais visíveis essas diferenças. O Núcleo aparecia como um projeto comum, mas formado por trabalhos que não precisavam soar nem se apresentar da mesma maneira.

A primeira apresentação foi a do Coral da OAP (Organização dos Aposentados e Pensionistas da UFMG). O regente, Paulo Hoffmam, contou que começou um trabalho de musicalização desde as bases. Como acontece com muitos coros do Núcleo, não é exigida experiência musical anterior para participar. Isso significa que o regente precisa conhecer o grupo, perceber o que é possível realizar naquele momento e conduzir os cantores passo a passo. A apresentação foi segura e mostrou um coro ainda construindo sua maneira de cantar junto. Alguns dos integrantes também participam de outros grupos do Núcleo, algo bastante comum entre os coralistas.

Em seguida, entrou o Litterarum. Eu gosto muito das apresentações deles. Victor Medeiros é muito simpático e dá bastante liberdade criativa ao grupo, o que faz com que sempre apareça alguma coisa diferente. Os coralistas usam roupas coloridas, fazem movimentos, incorporam pequenas cenas e misturam música e narrativa. Em uma das peças, o público foi convidado a cantar enquanto uma criança participava à frente do grupo. Em outra, dois coralistas dançaram durante a apresentação. No final, um cantor tocou gaita e encerrou num dueto com o violino do regente. O trabalho sonoro ainda passa por ajustes, mas o envolvimento do grupo e a maneira como se comunica com a plateia dão às apresentações uma força muito própria.

Depois veio o Coral da FALE. Dessa vez, Phil Rezende regeu ao piano. O grupo mantém um som muito bom e costuma apresentar repertórios variados, com arranjos interessantes tanto para quem canta quanto para quem assiste. Em uma das músicas, a plateia também foi convidada a participar, criando um momento muito agradável. A organização visual seguiu uma linha mais tradicional, com os coralistas uniformizados e dispostos em duas fileiras.

O Madrigal Renascentista, conduzido por Sérgio Borborema, apresentou um repertório a cappella. Os coralistas estavam em semicírculo, usando roupas formais com um detalhe vermelho, o que dava bastante unidade ao conjunto. O programa reuniu músicas renascentistas e populares, mas toda a apresentação manteve um caráter mais erudito, tanto pelas escolhas musicais quanto pela maneira como o grupo se colocou no palco.

Quando o Vozes da Saúde entrou, a primeira impressão veio da própria disposição do coro. Riane Menezes colocou os cantores em semicírculo, distribuídos pelos degraus do palco, e isso deu ao grupo uma presença muito marcante. Como estamos acostumados a ver os coros organizados em fileiras, aquela formação chamou atenção imediatamente. A apresentação confirmou essa primeira impressão. O coro mostrou segurança, volume e boa afinação. O repertório também ajudou a criar esse impacto e, para quem já tem alguma história com o Gloria, de Vivaldi, a apresentação trouxe muitas emoções.

Por fim, veio o Campus em Canto, regido por Manu Cardoso. Os coralistas estavam vestidos com as cores que identificam o grupo, o que criou um resultado visual muito bonito. As músicas escolhidas eram longas e exigentes, demonstrando o fino trato proposto pela sua regente no trabalho de evolução desse importante coro do NMC.

Mais importante do que comparar os grupos foi poder ouvi-los em sequência. Alguns coros estavam apresentando etapas iniciais de seus trabalhos; outros já mostravam maior experiência de conjunto. Havia repertórios, formações e propostas muito diferentes. O encontro permitiu que essas diferenças fossem percebidas sem que uma anulasse a outra.

Também foi bonito perceber o envolvimento dos coralistas. Os grupos não estavam ali apenas para mostrar o que haviam preparado. Assistiam aos colegas, reagiam às músicas, acompanhavam as apresentações e pareciam genuinamente interessados no trabalho uns dos outros. Essa troca talvez tenha sido um dos aspectos mais importantes da noite.

O encontro também trouxe uma questão prática. Quando todos os grupos se apresentam no mesmo dia, os próprios coralistas quase ocupam o auditório inteiro, deixando pouco espaço para um público externo. Separar as apresentações poderia ampliar a presença de outras pessoas, mas faria perder justamente essa convivência entre os coros. Talvez seja necessário manter as duas possibilidades: encontros maiores, em que os grupos possam se ouvir, e apresentações menores, abertas a um público mais amplo.

Saí com a impressão de que esses encontros precisam acontecer mais vezes. Eles permitem conhecer o trabalho desenvolvido em cada coro, aproximam os participantes e tornam visível aquilo que, durante o semestre, acontece separadamente em diferentes espaços da Universidade. Por algumas horas, os grupos puderam perceber que fazem parte de uma mesma construção, e isso é muito importante para o trabalho que tem sido feito no Núcleo. 



Litterarum

Madrigal Renascentista

Coral da OAP

Coral Vozes da Saúde

Coral Campus em Canto









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Um encontro para ouvir os coros do Núcleo de Música Coral da UFMG (por Bárbara “Bambis”)

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