Acalanto... a palavra já sugere um gesto antigo: embalar, proteger, criar ao redor de algo frágil um espaço de quietude. Vinícius de Moraes parece fazer exatamente isso quando escreveu o Acalanto da Rosa, aproximar-se da rosa como algo que precisa ser cuidado, guardado, quase protegido pelo canto.
A rosa, no poema, não é apenas flor. Ela é presença delicada, algo que pode se perder se o mundo se tornar brusco demais. Por isso o acalanto, não para fazê-la dormir, mas para preservar sua beleza.
Na sutileza da música de Cláudio Santoro, a melodia se move com uma suavidade quase contemplativa, como se cada frase precisasse nascer com o mesmo cuidado com que se segura uma flor nas mãos.
Quando Hely Drummond transpôs essa canção para o instrumento coral, encontrou um caminho muito bonito na minha opinião, distribuindo essa delicadeza entre as vozes. Nenhuma delas domina o discurso; todas participam da construção de um espaço sonoro que permanece leve, suspenso.
Então, ouçamos esta linda peça:
🎬 Acalanto da rosa - Coro Madrigale (2010)
Blog do Maestro Arnon: Canção do Amanhecer (HelyElas)
Blog do Maestro Arnon: Saia do meu caminho
Blog do Maestro Arnon: Ilusão à toa: a delicadeza como gesto
Blog do Maestro Arnon: Sabiá (HelyElas)
Blog do Maestro Arnon: João e Maria - delicadeza como escolha (HelyElas)
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